O Homem Branco

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Sujos de lama
os homens brancos passam
e riem do velhos
que rolam no caminho do retrocesso

Sem pena 
cortam seus braços e pernas

E ninguém viu 
o homem branco que riu 
da desgraça da humanidade
que existia no choro do pivete

Ninguém se importou
quando o homem branco sentou na cadeira
e definiu o padrão da família brasileira

Ninguém reclamou
quando o homem branco
tomando sorvete 
decidiu decidir

Quem?

terça-feira, 11 de outubro de 2016

 Hoje li um texto do escritor Gael Rodrigues que me fez chorar como eu não chorava há anos. Aquelas lágrimas que vêm lá de dentro, tão de dentro que nem parece vir de você. No texto Gael conta como esconder sua sexualidade quando criança o tortura ainda nos dias de hoje, como ele se forçou a cada detalhe a ser quem não era pra não ser descoberto. E seu desespero quando deixava algo passar despercebido por seu "alter-ego". 
 Eu não tive que esconder minha sexualidade quando criança, mas tive que esconder quem eu era. Porque quem eu era não era bom o bastante pra sociedade, nem para as pessoas ao meu redor. Minhas roupas, meu jeito, meus gostos, tudo indicava a "Maria Sapatão" que eu me tornaria, e isso não era certo. Mesmo que eu fosse, mesmo que não, do que importa? Ninguém entendia. Muito menos eu, uma criança perdida no meio dessa história toda. 
 Quando eu vi, já não jogava mais futebol, pintava minhas unhas, usava roupas esquisitas e já não sabia mais quem eu era. Até hoje não sei. Mas tudo é reflexo do que eu vivi naquela época. Não conseguir me sentir adequada, sempre achar que não sou boa o suficiente, não pertencer a nenhum lugar, não ter amigos. Eu já não sei se o que gosto é porque gosto mesmo ou porque na minha cabeça eu deveria gostar. E há dias que isso é desesperador e me consome. 
 Não sei se um dia vou acabar com essa crise de identidade, não sei. Ninguém entende o quanto isso pode afetar alguém, acham que é só uma ideia louca da minha cabeça. Eles não sabem de nada. E enquanto isso eu continuo não sabendo quem eu sou. Pelo menos, com os textos como o do Gael, eu sei que há tantas pessoas que se escondem, que fogem e não se encontram como eu. Empatia nessas horas cai bem.

terça-feira, 1 de março de 2016

Eu não consigo mais escrever.
Na verdade, eu não consigo fazer nada.
Toda aquela euforia
e todos os planos
foram deixados de lado
num ato de obediência,
quase como se não houvesse outra opção.

Entre uma noite e outra
ninguém mais vê
que através disso tudo
há uma pessoa.

Eu esperava por mais,
como quem tem certeza de tudo.

Diabetes.txt

Eu não te amo

sábado, 16 de janeiro de 2016

 Outro dia eu li uma dessas coisas que se encontra na internet, o título era "A diferença entre gostar, se apaixonar e amar". Um texto longo que dizia que quando gostamos sentimos aquele frio na barriga, que apaixonados nos perdemos no sentimento e ficamos cegos, e amar é fazer da pessoa seu passado, presente e futuro. Então eu descobri que não te amo. Ou pelo menos não só isso. 
 Vai além dessas definições bobas, das diferenças citadas. Mesmo depois de tanto tempo eu ainda sinto aquele frio na barriga antes do encontro, ainda faço planos na segunda-feira e ainda reparo teus defeitos que eu não conhecia. Mas, aliás, quem disse que gostar não pode ser pra sempre? É um sentimento inocente e medroso. 
  E eu também estou apaixonada, ainda faço coisas sem pensar, só pelo impulso do sentimento. Ainda fico cega quando se trata de você. Ainda me entrego sem pensar duas vezes só pela alegria que encontro ao te ter. Ainda fico sem graça quando me olha profundamente e ainda sinto coisas surpreendentes com beijos breves.
  E ainda sim te encontro nos meus últimos três anos, ainda te tenho no presente e te espero no futuro. Cheio de planos e ideias de coisas tão simples que mesmo sendo apenas pensamentos já me tornam feliz. Mesmo que eu tenha que trabalhar meus defeitos, evitar os mesmos erros e ainda sim qualquer esforço é válido.