"Nada de Roupas Curtas"

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

"Nada de roupa curta ou decotada na rua", eles diziam, eu não entendia. Cresci, e as roupas diminuiram, os comentários fizeram com que o medo se alojasse. "Nada de roupa curta na rua, quando eu estiver sozinha", eu dizia. Vi homens batendo em mulheres na rua, li artigos de garotas e mulheres sendo estupradas, agredidas e até mortas, em outros países, como se fosse a coisa mais comum do mundo, ouvi gritarias e baixarias. 
 Ninguém entende o medo. Passar rápido por um bar cheio de homens, evitando qualquer contato visual. Olhar para os próprios pés quando um "cara esquisto" passa, torcendo para que ele não diga nada, não faça nada. Ter que andar por aí sabendo que é possível que mexam comigo faz com que aumente minha vontade de ficar em casa ou de andar mais rápido que o normal. 
 E por mais que eu queira não temer, uma sociedade inteira se rege em função disso. Os comentários desagradáveis se mantêm, os assobios, ninguém se importa que isso aconteça com frequência, que mulheres sejam vítimas, diariamente, da falta de respeito. É tudo culpa nossa, afinal, eles sempre disseram "nada de roupa curta".