Eu sei

domingo, 27 de setembro de 2015

  Hoje eu resolvi olhar aquela playlist que você anda fazendo pra mim e pra minha surpresa lá estava aquela banda que eu te falei que eu estava apaixonada. Eu sei. É muito pop-alternativo pra você, mas mesmo assim você se deu ao trabalho de ouvir e adicioná-la na minha playlist. E quando eu vi, eu tive vontade de chorar. Bobo, eu sei. 
  Poucas pessoas entendem o que rola entre a gente e como conseguimos fazer chegar até aqui, realmente nem eu sei. E nem quero saber, porque descobrir o segredo faria com que tudo isso se tornasse sem graça. Eu vejo tantos anúncios de namoro pela internet, mas tenho certeza que nenhum é como o nosso, muito menos tão verdadeiro quanto. 
  Você me conhece bem, sabe que sou muito apegada a tudo, principalmente aos detalhes. Como  quando você fez um daqueles seus desenhos da gente ou quando você me emprestou aquela blusa pra me proteger da chuva, aquela blusa xadrez que passou a ser minha logo em seguida. Eu gosto de lembrar dessas coisas, gosto dos detalhes de tudo que passamos, faz tudo se tornar peculiar e não apenas mais um casal do facebook. 
   Eu sou babaca na maior parte do tempo, eu sei. Ninguém precisa saber que por trás da cara feia existe um coração cheio de apegos. E eu não sei o que seria de mim sem todos os apegos seus, sem todas as cartas guardadas e as rasgadas, sem todos os desenhos espalhados por aí, sem todas as músicas das infinitas listas compartilhadas. Eu sei, não sou ninguém sem você, nem sem os milhões de detalhes que guardei e que acabei esquecendo. 

Não me venha falar sobre hipocrisia

sábado, 27 de junho de 2015

  Nesta sexta-feira o mundo virtual, em especial o facebook, se mobilizou com a vitória do casamento igualitário nos EUA. No meio de tantas fotos coloridas, discursos de ódio se propagaram, hipocrisia é o que não faltava, desde pessoas que são contra o casamento gay como pessoas que acham que uma causa é mais importante que a outra. A fome foi o principal argumento. 
  Tudo bem você não ser a favor dos direitos iguais, cada um pensa o que quer. Mas querer comparar uma lei que legaliza a união entre pessoas do mesmo sexo com a fome mundial é hipocrisia pura. Até porque de todas as pessoas do meu facebook apenas uma que eu conheço realmente faz algo para ajudar pessoas que passam necessidade, e até ela estava com a foto colorida ontem.
  Não. Eu não colori minha foto do facebook. Sim. Eu apoio os direitos iguais para os homossexuais. Por que não colori a foto? Simples. Durante os últimos meses eu tenho estado em choque devido às diversas mortes que têm ocorrido, incluindo as dos EUA. Comemorar uma vitória dos direitos humanos enquanto outro está sendo completamente ignorado me parece um tanto hipócrita. 
  Se você acha que a fome é a mais importante que o casamento gay, faça algo a respeito ao invés de compartilhar fotos no facebook. Se você é contra o casamento gay, cada um sabe o que é melhor pra si, não pro outro. Se você não acha que eu deva comemorar a aprovação do casamento igualitário no país que influência o mundo inteiro, problema seu. 

"Vai de menino ou de menina?"

segunda-feira, 22 de junho de 2015

  Desde que eu me entendo por gente me vejo em cima de um muro. Sempre preferi azul à rosa, sempre preferi bermudas a saias. Mas isso era só meu modo de vestir. Não muda quem eu sou, e mesmo assim as pessoas não são capazes de entender isso. Preferia jogar futebol a ficar de bobeira com as outras meninas. Mas ninguém entendia, eu tinha que jogar queimado, isso sim era esporte de menina. 
  Com sete anos recusei ser daminha de um casamento porque não queria usar um vestido enorme branco e vinho. Eu sabia que decepcionaria muitas pessoas, mas não usaria aquele vestido por nada nesse mundo. Então fui ao casamento de calça bege, blusa de botão branca, bota e ainda uma boina, feliz da vida já que eu não teria que usar aquela coisa que me apavorava.
  No meu aniversário de sete anos eu pensava que deveria ser um pouco mais feminina como a maioria das minhas amigas, nisso optei pelo tema "Meninas". Sim, eram meninas, e tudo era muito rosa. Usei uma roupa ridícula e me senti uma grande mentira. Acho que todos sabiam muito bem quem eu realmente era, e que aquilo não era tão eu quanto deveria ser. 
  No ano seguinte, o tema foi Flintstones, aquele desenho da idade da pedra, e dessa vez eu me vesti como eu era de verdade. Roupa preta e trancinhas muito loucas. Acredito que ter usado a blusa da Pitty tenha me dado um pouco mais de conforto. Ela era a única mulher que eu conhecia que tinha uma banda pesada pra mim na época e nem por isso ela deixava de ser mulher. 
  Foi só depois de alguns anos que eu vi que eu poderia usar saia sem me sentir oprimida e usar blusas largas para desaparecer na multidão. Eu poderia ser um meio-termo. Eu poderia usar o que quisesse. Com os anos eu comecei a usar vestidos, a deixar o cabelo solto e pintar as unhas. A melhor parte de todas é poder ser quem eu sou de verdade. Se eu quiser usar uma bermuda masculina, eu vou usar. Se eu quiser usar uma saia florida, eu vou usar. E ninguém tem nada a ver com isso. 
  Nesta semana minha turma fará o dia temático da troca, em que as meninas se vestem de meninos e vice-versa. Mais de duas pessoas me perguntaram: "Você vai de menino ou de menina?". É claro que eu vou de menino, porque, mesmo usando roupas masculinas, eu ainda sou uma garota! E no mesmo dia, mais tarde, uma reportagem da Pitty saiu na Rolling Stone falando sobre sua masculinização. Coincidência? Não, senhor. Meu sistema ninguém reinstala. 

Tag Liebster Award

sábado, 2 de maio de 2015

 Então, eu não escrevo aqui há alguns meses, mas resolvi voltar por motivos de: fui indicada para a Tag Libster Award pela Bárbara Lustosa que escreve no Colisão Química. Demorei um pouco mais respondi a tag... 
Peguei a imagem do Google por preguiça.

 REGRAS
  • Escrever 11 coisas sobre você;
  • Linkar a pessoa que te indicou;
  • Responder 11 perguntas da pessoa que te indicou;
  • Fazer mais 11;
  • Indicar mais 11 blogs (de preferência pequenos);
  • Colar um selo que indique a T.L.A.;

 11 Coisas Sobre Mim

1) Descobri recentemente que sou perfeccionista, se não uma perfeccionista em potencial. Comecei a pensar nisso quando reparei que comia os M&Ms por grupos de cores em ordem alfabética, e quando organizava meus livros por tamanhos e CDs em ordem alfabética, e se algo saísse do lugar eu ficava completamente nervosa, fora de mim. 

2) Eu tenho meu futuro planejado, todos os detalhes, todos os planos. O futuro distante e o mais próximo. Por exemplo, eu tenho o mês inteiro planejado, o dia também cronometrado e tudo organizado para quando eu passar no vestibular. Sim, eu vou passar no vestibular e já sei como tudo vai acontecer em seguida. 

3) Minhas quatro coisas favoritas e que são assuntos fáceis comigo: filmes, música, trilha sonora e séries. Garota Interrompida, Planar, Juno e Skins. Só falar uma dessas palavras mágicas e você já ganhou meu coração, é certo. 

4) Sou uma aluna super dedicada, apesar de muitas pessoas acharem que eu sou inteligente, na verdade é tudo fruto de um esforço absurdo. Eu já fiquei de recuperação semestral e de opicional, mas nunca fiquei de recuperação final. Se tiro uma nota baixa já fico como louca para tirar nota suficiente na prova seguinte para ficar na média. 

5) Tenho uma lista de coisas que quero fazer, como todas as tatuagens que vou fazer, um passeio, um lugar para visitar, um show para ir. Como um “Coisas que eu tenho que fazer antes de morrer”. Tem umas coisas bem básicas na lista, mas que exigem certo planejamento como viajar para a Europa com a Laura em 2017 ou aprender a grafitar.

6) Meu maior sonho é conhecer Paris, talvez viver em Paris, estudar em Paris. A cidade da luz, foi cenário de coisas extraordinárias, apesar de ter consciência da arrogância francesa, do mal cheiro das pessoas e da cidade, não tem como não amar Paris. O estilo da mulher francesa, os cafés, os museus, os pontos turísticos, a história da cidade, é tudo surreal. Me faz querer voltar no tempo, em 1920 e conhecer essa cidade incrível e revolucionária.

7) Muitas pessoas têm alergias à camarão, eu tenho alergia a tanta coisa que eu nem sei mais. Como: corante de biscoitos como doritos e cheetos, castanha, nozes, avelã, poeira, pêlo de animal, mosquito, formiga, alguns batons... 

8) Tenho uma espécie de diário alternativo, nele escrevo frases, músicas, faço desenhos e colo coisas, tudo para expressar meus sentimentos, já que eu tenho muita dificuldade de falar como me sinto e gosto de relembrar as coisas que aconteceram, apesar de nem sempre serem memórias felizes.

9) Nunca viajei muito, fui três vezes para Minas Gerais e uma vez pro Amazonas, e sinceramente, eu amei conhecer Manaus! O clima úmido e as pessoas simpáticas tornou uma viagem de 5 dias em uma experiência que eu quero repetir. Não. Lá não é só mato e mosquito, tem muito gringo, muitos condômínios e prédios mais bonitos que os da Zona Sul do Rio de Janeiro. 

10) Morei um ano e meio em Volta Redonda, a partir de 2013. Lá conheci pessoas maravilhosas, inclusive o professor que deu rumo pra minha vida e me fez optar por Ciências Sociais. Foi difícil morar lá no início, mas depois de um tempo (quando eu fui estudar no Rosário, em 2014), foi impossível querer sair. Já se passaram seis meses e eu adoraria voltar para lá. 

11) Eu vou fazer Ciências Sociais. Por quê? Porque eu quero e acredito que posso mudar o país, seja educando os futuros eleitores ou trabalhando com os eleitos, quem sabe um dia como eleita. Muita gente acha que eu sou louca, ou que não terei futuro em Ciências Sociais, mas se eu sou tão à favor das mudanças, por que não fazê-las acontecer? 


11 Perguntas da Bárbara

1) Se você pudesses escolher algum momento histórico para reviver, qual seria?
 Essa é difícil, mas acredito que reviveria a Revolução Francesa (1789-1799). Os princípios de liberdade e democracia que foram impostos e criados na época ditam até hoje os países. E o desenvolvimento do iluminismo é algo surreal. 
 Acho que também participaria da década de 20, devido ao movimento surrealista, ou durante a Segunda Guerra Mundial, porque por muitos anos fui fascinada com tudo relacionado ao holocausto e ao sofrimento das populações perseguidas, principalmente por ter origens alemães.

2) Qual é o primeiro livro que passa na sua cabeça quando tem que indicar a alguém? 
  A Pequena Abelha. O livro tem uma história muito forte e muito distante da nossa realidade, em relação à violência em outros países e à imigração ilegal. Melhor livro da história!

3) De onde tirou a ideia para o nome do seu blog?
  Amélia é uma personagem da cultura brasileira, caracterizada por ser uma mulher  completamente submissa. O nome do blog é uma grande irônia. Eu sou uma pessoa submissa porque nunca fui de frente com as pessoas, nunca contestei, sempre aceitei tudo o que me diziam com a cabeça baixa, o nome deveria ser Sempre Amélia, mas essa é uma característica que eu busco mudar, e quem sabe dizer “Nunca mais Amélia”.

4) Oba, hoje é dia de pizza! Qual é o sabor que você faz questão?
 Chocolate com confete, de preferência da Parmê. 

5) Quais as coisas que você nunca sai sem? 
 Identidade e batom.

6) Se pudesse escolher um personagem de filme/livro para trazer a realidade, qual seria?
  Oliver Tate do filme Submarine. 

7) Qual o aplicativo do celular que não vive sem?
 Instagram! 

8) O melhor cheiro da sua vida qual é?
 O de chuva. 

9) Qual é o blog que não fica um dia sem visitar?
  O Steal The Look. 

10) Para você, qual é a importância dos grupos de blogueiras?
 Tirar dúvidas com coisas que só blogueiras saberiam responder, descobrir pessoas com gostos em comum e ler resenhas (AMO). 

11) E por último, me diz o que achou do Colisão Química? Seja sincera.
  Eu não conhecia o blog antes da Bárbara me mandar para falar a verdade, mas estou apaixonada, parece que a família Lustosa leva mesmo jeito para a coisa. Gostei muito do texto “Relacionamentos acontecem...” e do recente "As artes da Belas Artes"


Minhas Perguntas 
  1. Quais são seus planos para o futuro?
  2. Se você pudesse conviver com alguém, um famoso, alguém querido que mora longe, uma figura fictícia ou histórica com quem seria? 
  3. Quais são suas 3 músicas favoritas? 
  4. Qual foi o momentos mais emocionante da sua vida?
  5. Qual sua peça de roupa favorita? 
  6. Qual o seu lugar preferido? 
  7. Qual a sua religião? O que você mais gosta sobre ela? 
  8. Se você tivesse dinheiro para comprar qualquer coisa no mundo, mas só podendo escolher um único produto, o que compraria? 
  9. O que você mais gosta sobre seu blog? 
  10. Se você pudesse visitar/morar em qualquer lugar, qual seria?
  11. Qual a sua opinião sobre o Jamais Amélia, o que pode melhorar? 


Indicações

Essa Eu Fiz Para Esquecer
De uma das melhores pessoas do universo!
Intensa Vida
 Ouvi Por Aí
 Lovely Utopia



Pra quem ainda não segue também pode entrar no Nossa Invasão, meu blog com o Rodrigo sobre música: 

(Se quiser que eu marque como indicação para participar da tag é só comentar!)



Sigam essa menina da linda família Lustosa que me indicou para a Tag: 
http://colisaoquimica.blogspot.com.br/
http://colisaoquimica.blogspot.com.br/

"Nada de Roupas Curtas"

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

"Nada de roupa curta ou decotada na rua", eles diziam, eu não entendia. Cresci, e as roupas diminuiram, os comentários fizeram com que o medo se alojasse. "Nada de roupa curta na rua, quando eu estiver sozinha", eu dizia. Vi homens batendo em mulheres na rua, li artigos de garotas e mulheres sendo estupradas, agredidas e até mortas, em outros países, como se fosse a coisa mais comum do mundo, ouvi gritarias e baixarias. 
 Ninguém entende o medo. Passar rápido por um bar cheio de homens, evitando qualquer contato visual. Olhar para os próprios pés quando um "cara esquisto" passa, torcendo para que ele não diga nada, não faça nada. Ter que andar por aí sabendo que é possível que mexam comigo faz com que aumente minha vontade de ficar em casa ou de andar mais rápido que o normal. 
 E por mais que eu queira não temer, uma sociedade inteira se rege em função disso. Os comentários desagradáveis se mantêm, os assobios, ninguém se importa que isso aconteça com frequência, que mulheres sejam vítimas, diariamente, da falta de respeito. É tudo culpa nossa, afinal, eles sempre disseram "nada de roupa curta".

De repente

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

 De repente
 eu virei as costas e mudei de rumo
 esqueci quem era por um segundo 
 e me encontrei no meio de muita gente

 De repente
 eu gritei sem motivo
 Sozinha no vazio,
 morria lentamente

De repente
deixei de lado meus medos 
para que eu pudesse gradativamente
mudar meu próprio enredo

De repente
me vi repetir a história de sempre
e quis desistir de tudo
mesmo sabendo que me arrependeria rapidamente