Amélia na guerra

domingo, 19 de outubro de 2014

   Ás vezes nascemos com pessoas já pré-determinadas a fazer da nossa vida um inferno pessoal. Eu juro que procurei mil razões para que as coisas fosse assim. "Karma", "história de outra vida", poderia ser tudo e mais um pouco, mas nada explica a determinação da pessoa com essas atitudes que me machucaram tanto durante tantos anos.
   Eu nunca revidei, eu nunca gritei, eu nunca fiz nada radical para acabar. Eu sempre acabava com a cabeça baixa, guardando tudo, engolindo tudo. Não valia a pena me rebelar, eu sabia. Enquanto isso eu só me afastava, de todo mundo. Eu me isolei no meu mundo particular, pois não queria que mais ninguém me fizesse todo aquele mal.
   E com o passar do tempo as coisas só pioraram, bastava que eu desse um movimento em falso para que toda aquele sofrimento voltasse. E voltou pior do que um dia foi. Mas ninguém entendia, como aquilo me fazia mal, sempre dizendo "Mantém a calma, um dia passa", passa? Só piora!
   Quando eu comecei a entender as coisas, como as brigas desnecessárias e todas as coisas que eu ouvi que me magoaram, tudo gerou um enorme rombo na minha vida, eu estava em transição. Eu ouvia e não comia, não dormia, mal vivia. Ninguém via. Eu estava sozinha naquela guerra, e eu estava desarmada.

Amélia Burguesa

domingo, 12 de outubro de 2014

Menina burguesinha nunca passou fome.
Sempre teve macbook e o mais novo iPhone.
A hipocrisia lhe rondava
Sempre questionava tudo mas não fazia nada.

Ela vivia pesquisando um jeito de viver;
Mas não conseguia largar o capitalismo do seu próprio ser.
Era como um peixe que queria sair do aquário.
Tentava mudar o mundo mas não arrumava o armário.

Ela vestia roupas de marca
E lia Marx na internet.
Ela reclama do governo ausente
mas não sabe o nome do presidente.

E Quem Nunca Se Perdeu?

sábado, 11 de outubro de 2014

  Ela olhou para todos os lado e não encontrou a mão que lhe guiava por ali. Depois de apenas uns segundos que passou distraída a menina se viu no meio daquela multidão de gigantes e nenhuma daquelas pessoas era a única que lhe trazia confiança.
  A menina sentiu o medo e o desespero tocarem seus pés e subirem à cabeça. Ela andava para lá e para cá desabrochando em lágrimas, em busca daquela segurança. E quanto mais ela andava maior era o sofrimento.
  Alguns gigantes olhavam de longe, mas não se aproximavam. Uma eternidade se passou e cansada, a menina desistiu, sentou no chão e deixou o desespero a dominar. Ela não sabia o porquê, nem onde, mas sabia que estava perdida, sozinha. Em questão de segundos, que mais pareciam horas, a menina foi resgatada pela tal pessoa que lhe guiara e lhe abandonara.
  A menina cresceu, e depois de adulta a situação era parecida. Mas não era a mão que ela havia perdido, era um coração. O antigo cenário do mercado foi substituído pela vida e aflita, a mulher buscava pelo coração que a abandonara.