Deixa chover

terça-feira, 30 de setembro de 2014

   Me prendo à coisas bobas pois tenho medo. O medo me consome e não me deixa andar. Dependo de detalhes, de manias, de superstições, de memórias. Dependo de coisas bobas para seguir em frente, para viver dia após dia.
   O medo de perder, de viver nessa mesmice, de fracassar. Tanto o que pensar, o que sentir, acabo me privando de viver por pensar de mais, por hesitar. Nunca arrisco, nunca confronto, nunca faço nada, só fico parada no meio fio esperando o medo me derrubar. E enquanto o medo não me derruba de vez eu passo os dias criando mentiras, ditando manias, escrevendo besteiras, qualquer coisa que me afaste de tudo, para que me torne mais humana, criando uma personalidade, um hábito que eu nem ao menos sei se é verdadeiramente meu.
    Revirando o pretérito, os amigo, os momentos, tentando relembrar de quem eu um dia fui, de quem eu deveria ser, do que aconteceu. Assim, me afasto do presente monótono e solitário, em que tudo o que faço é viver no passado ou planejar o futuro, para que a tristeza me liberte e eu siga o fluxo. E então permaneço esperando que isso seja apenas uma fase ruim, no meio dessa garoa. Deixa chover.

Rezei para a chuva não vir

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

e que de noite eu pudesse ver as estrelas
Esperei as tardes passarem lentas
pois eu não queria levantar da cadeira
O relógio derretido de Dalí me avisou
que o tempo perdido nunca seria recuperado
E com um toque de mágica 
tudo o que eu conhecia foi parar no espaço
Deixei os meios ligados,
o sistema arrumado
Esperei por um sinal do Além  
E mesmo assim,
como um dia sem fim
Novamente dormi sem dizer amém

Luta Sem Causa

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

 De repente, as palavras que entraram pelos meus ouvidos abafaram o mundo à minha volta e me deixaram sem forças para reagir. Era como se eu tivesse visto um filme terrível e não pudesse fazer nada para muda-lo e as lembranças daquelas cenas viessem para me assombrar a cada passo que eu dava. 
  Em tão poucos segundos a agonia tomou meu peito e levou aquele sofrimento à um nível completamente diferente. Era como se todos estivessem contra mim. O mundo inteiro, como se todas minhas atitudes, todos meus atos, fossem um enorme pecado, algo digno de julgamento de nível superior. 
  Como se não fosse suficiente todos os anos de tortura e angústia, cada dia que passa parece mais uma batalha e eu não ganhei nenhuma delas, e pelo visto nunca vou ganhar. Uma guerra perdida, uma luta que eu nem lembro mais a causa. Mas persisto, fingindo ser forte o suficiente para mais uma batalha, mais uma derrota, mais uma angústia.

E onde foi parar a liberdade?

domingo, 14 de setembro de 2014

   O Sol queimava a pele de todos na orla da famosa praia de Ipanema, as cangas de desconhecidos se encontravam devido a presença da multidão que se estendia pela areia. Crianças brincavam nas ondas do mar que quebravam sem piedade e levavam até os adultos embora. Vendedores ambulantes anunciavam suas mercadorias e a originalidade de cada um chamava a atenção do freguês. 
   "Fica esperta, fica esperta", a mãe dizia para a filha que dormia tomando um banho de Sol. E em poucos segundos todos se levantaram e correram para a calçada. O tumulto, a angústia se propagou até onde não era possível ver. Passando pelas bancas de jornal era possível ler "Operação Verão: Rio tem domingo de sol com reforço policial nas praias". 
    E onde estaria o tal reforço que levaria os assaltantes que fizeram diversas pessoas pulares de suas cangas e procurarem o rumo de casa mais cedo? A liberdade (L. civil:poder de praticar tudo o que não é proibido por lei) do cidadão está novamente em jogo. Sabendo que nem em um dia de lazer, como um domingo de sol na praia, estamos livres da insegurança e das questões sociais que levaram esses jovens à praticarem arrastões. Então, onde foi parar a liberdade? 

De Novo Não

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

  Ela olhou para os próprios pés pois queria correr dali. Sem nada nos bolsos e muita agonia no peito Amélia resistiu. Todos falavam o que bem entendiam, mas Amélia nunca respondeu como ela se sentia. Devastada, a menina que não tinha direitos nem liberdade se viu naquela encruzilhada de emoções. 
 Amélia se viu acorrentada à si mesma, "Que paradoxo." pensou. Mas mesmo assim largou sua espada no chão e com as próprias mãos cavou em busca do inferno. Ela acreditava que descendo todos esqueceriam que Amélia um dia foi um ser humano. Mas no momento, o redor estava destruído. Mas como quase tudo em sua vida, Amélia desistiu de tentar.      
  Amélia morava num forte, como Rapunzel. Mas Amélia não tinha longos cabelos para encontrar seu Romeu, nem para fugir. Só lhe restou chorar, como sempre fazia, não comia, não sorria, não sentia. Amélia voltou para aqueles dias que só ela sabia de como era horrível passar. Ela sobreviveu aos leões, mas ela preferia ter sido comida, do que ter que viver mais um dia naquela situação.