Amélia apodrecida

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

  Amélia não sabia quem ela era, e nem tinha interesse de saber. Gostava de andar alheia ao mundo, feliz por não entender. Amélia levava o dia com a barriga, para não se aborrecer. Afinal, Amélia de verdade sabia que era melhor não se envolver.
   No meio do mar de sentimentos em que vivia, Amélia se sentia perdida, na verdade ela nem sabia o que sentia. Ela vivia numa confusão só, sozinha, fingia sentir e saber o que não sabia. Fingia como sempre fingiu, nada a atingiria. Fingiu estar bem sozinha.
  Apesar da bagunça em que Amélia vivia, ela sabia que nada era pior a sanidade hoje em dia. Pois o que vale a fruta estragada, quando há uma sadia? Amélia, esquecida por si mesma, sabia, que melhor viver apodrecida, mesmo sem saber, do que ser atingida pelo o que não se vê.

Antes

terça-feira, 12 de agosto de 2014

   Lembro das noites mal dormidas querendo voltar pra casa. E depois de tantas mudanças de hábito eu tinha encontrado um lugar. Eu gostava de andar por aí, de passear sozinha, de ir pra escola. Eu não sabia, mas apesar de tudo, aquele lugar me fez bem. 
   Em tão pouco tempo eu fiz amizades que hoje sinto falta no meu dia-a-dia. Eu era eu mesma, eu era falante e não ligava pra nada. Eu achava que ficaria melhor longe desse lugar frio e seco, mas não imaginaria a falta que sentiria das condições em que vivia.
  Agora todos os círculos desse lugar que eu tanto desejei estão fechados, e parece que não tem lugar pra mim. Eu não me reconheço mais, eu não tenho falado tanto e me importo com tudo. Eu me sinto perdida, pois não sei andar por aqui direito. E por mais que eu tente, minhas atitudes são relevantes, afinal, não há ninguém pra me ouvir. 
   

O Outro

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

  Naquela tarde pensei em todas as coisas terríveis que eu queria ter dito. Sobre como você fez com que eu me sentisse um verdadeiro lixo e como eu desejei que você mudasse a tempo. Mas naquela tarde seu desprezo se tornou evidente, que até quem estava de fora notou. Eu tentei virar o jogo, mas ninguém muda ninguém.
   Eu achei que depois de tantas confusões você notaria que toda a tristeza que te cerca foi você quem atraiu. Mais fácil colocar a culpa no outro, que tanto sofreu ao teu lado, como se todos estivessem errados, loucos. Mas eu não vou contra tua verdade, afinal é tua e só tua.
  Além de me agredir com tuas palavras, como se não fosse o suficiente, faz de mim o seu pesadelo inevitável e lastima minha presença, a partir de todos os detalhes de mim. Como se eu já não soubesse dos meus defeitos, há de aponta-los e orgulhar-se da tua superioridade.
   Não reclame quando eu for embora, pois será tarde de mais. Cumpro minha obrigação e só. Então deixe-me em paz pois tua verdade não há de me afetar, não mais. 

 

Jamais Amélia

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

   Sempre gostei de escrever. Escrevo poemas e histórias longas, escrevo crônicas e dissertações. Apenas por gostar de escrever. Por me sentir bem escrevendo. Colocar minhas idéias e sentimentos no "papel" torna tudo mais claro.
    Invejo os artistas, que com um pincel demonstram os sentimentos com facilidade. Invejo os atores, que demonstram uma realidade alheia com o próprio corpo. Invejo os músicos, que com notas toca-nos a alma. Invejo os ousados, que falam o que querem e demonstram sempre à si mesmos. E eu, que escrevo, que tragédia sou.
     Me escondo através de uma personagem, que nem foi eu mesma que criei. Ainda sim, é meu refúgio. Dizer o que sinto, o que penso, o que entendo. Sem mentiras, sem medo, só tentando clarear o meu próprio eu. Sendo Amélia, apesar de não querer. Com os dedos nos teclados do computador eu sobrevivo.