Como A Borboleta

quinta-feira, 24 de julho de 2014


Eu me lembrei daquele novembro, que eu te abracei e chorei no teu ombro. Eu ia embora, e não sabia quando voltava, nem se voltava. Mesmo assim você não desistiu de mim, disse que daríamos um jeito, que ficaria tudo bem. Era tudo recente para mim. Era a primeira vez que eu vi que alguém me amava de verdade e iria lutar para que desse certo.
  Voltei. E agora você se vai. Me parece bem injusto o destino. Preciso admitir que o medo e insegurança estão mais fortes do que há dois anos atrás. Eu sei, não devo ficar triste, vai ficar tudo bem, você vai para o teu bem, tua felicidade. Mas o "E se…" chegou com tudo dessa vez.
  Me prendo ao passado e ao futuro, deixando que o tempo e o destino se encarreguem de tudo. Assim como a borboleta é apenas borboleta, o tempo é apenas tempo e a distância é apenas distância. E que o tempo e a distância deixem que nosso amor seja apenas amor, pra sempre e perto, bem perto.


  (Passa Uma Borboleta - Fernando Pessoa)

Eu Ainda Sinto Falta Dela

sábado, 19 de julho de 2014

   Eu tinha oito anos e me apresentaria no coral da escola no dia seguinte. Eu não poderia estar mais animada. Pedi para ela passar a blusa que eu usaria, mas distraída ela criou um enorme buraco na blusa. Ela ria tanto, mal conseguia respirar, nem ao menos explicar o que tinha acontecido. Ela me ensinou a passar minhas roupas sem queima-las.
   Ela preparava miojo com bacon no almoço por estar com preguiça de cozinhar mas no jantar ela fazia questão de fazer strogonoff, meu preferido, que mais tarde ela me ensinou a preparar. 
  Ela, que me levava onde fosse preciso e fazia todas minhas vontades. Ela, que jogava fora a beterraba antes que meu pai visse que eu não tinha comido nenhuma. Ela, que fumava o dia inteiro e tinha vergonha de ser vista comendo. Ela, que basicamente me criou.
   Depois de tantos anos, ela não ia mais todos os dias na minha casa. Ela não tinha mais forças para preparar meu strogonoff, nem para subir as escadas da minha casa. Ela emagreceu absurdamente e resolveu parar de fumar. Seu cabelo foi caindo e sempre que eu a encontrava ela estava passando mal.
   De volta de uma viagem com minha família recebemos um telefonema, e mesmo sem minha mãe dizer eu já sabia, ela nunca mais voltaria na minha casa, ela nunca mais prepararia strogonoff pra mim, eu nunca mais a veria.
   Eu sei, nunca vou esquece-la, e mesmo depois de tantos anos eu ainda choro ao pensar que ela não me ouvirá falar sobre meus amores e meus novos amigos, que ela não me verá formada, nem casada. Ainda choro ao pensar que ela nunca conhecerá meus filhos. E eu lamento não tê-la por perto para cantarolar meu nome ou para se sentir orgulhosa de mim pelas minhas conquistas.

Sai da Lua, Analuna.

quinta-feira, 17 de julho de 2014


 Analuna vivia no mundo da Lua. Não queria a ajuda de ninguém, mas queria ajudar todo mundo. Ela se fazia de forte mas sabia que a flor que florecia dentro de si não tinha espinhos. 
 Analuna era protetora quando os outros precisavam dela e se afastava quando ela precisava dos outros.
  Analuna não sabia, mas as pessoas à sua volta queriam entendê-la melhor. Poder saber o que está acontecendo. Analuna deveria deixar novas pessoas entrarem em sua vida. Analuna deveria sair da sua Lua particular. 


Chegou a hora

  Ela se virou e respirou fundo. Sabia que estava na hora de falar alguma coisa. Tomou o peito de coragem e desabou, mas dessa vez pôs tudo para fora. Apesar do coração estar leve a mente pesou. Ela sabia do que estava por vir.
  Nem dois minutos se passaram, com o coração apertado ela se sentiu sozinha. Viu que chegara sua hora de crescer, viver, agir. Ela se sentiu orgulhosa por deixar os medos de lado, por fazer alguma coisa. Amélia deixou de dançar conforme a música.