Jamais Amélia, eu sou Amélia.

domingo, 27 de abril de 2014

Amélia por amar incondicionalmente
Por não querer ser diferente
Por não ser independente
Por fazer parte do sistema
Por não pensar nos problemas

Amélia por aceitar o que foi imposto 
Por não questionar o pensamento oposto
Por acreditar em tudo o que dizem
Por não ter um ideal para lutar
Por não viver

Amélia, submissa ao sistema
Ao amor, à crença
à tudo que a cerca
Amélia



Segunda Vez

sexta-feira, 25 de abril de 2014

  Eu pensei naquele primeiro beijo depois da aula, que me pegou meio desprevenida, mas querendo que aquilo acontecesse. Aqueles momentos de expectativas que eu sinto nos filmes. Ah, como eu amo filmes! Vê-los me faz tão bem. É como se por cerca de duas horas eu pudesse sair da minha realidade e entrar na vida de uma pessoa completamente diferente.
  É ainda mais engraçado quando eu me identifico com um filme, com um personagem. Na frente de uma tela eu me vejo torcendo para que algo aconteça, eu faço associações comigo mesma. Mas nem sempre o final me satisfaz. Ás vezes o final é o pior de todos. Eu queria poder mudar tudo, voltar a cena que não me agradou e deleta-la
  Tem filmes que me fazem entender realidades diferentes da minha, o passado, ou coisas que eu nunca tinha entendido até então. Alguns filmes me emocionam, me tocam, me marcam. Outros eu desejo que nunca tivesse visto. E se eu vejo um filme pela segunda vez, por opção, é porque eu realmente gostei. 

2012 2/2 (a parte que ninguém precisa saber)

domingo, 20 de abril de 2014

  Hoje eu lembrei de todas as vezes que eu arrumava um motivo pra passar perto da sua sala de aula, para procurar você durante o intervalo. Lembrei de todos os dias que você chegou atrasado e eu não te vi antes da aula começar. Eu lembrei do dia que te encontrei indo para casa.
  Eu lembrei de fingir que não te via e de esbarrar "sem querer" em você. Eu lembrei de você beijando outra garota na porta da escola, e de como eu fiquei mal vendo aquilo.  Lembrei de quando você veio falar comigo no intervalo, e de quando você falava coisas aleatórias só pra puxar assunto. Também lembrei de todos os planos que eu armei para te ter.

2012

  Fechei os olhos, com os fones no ouvido veio a próxima música. "2012", foi tudo o que eu pensei. Lembrei de ir pra escola correndo por estar atrasada, sempre com um Nescau na mão. Lembrei de mascar Trident durante as aulas, de deitar no chão da sala. De todas as vezes que eu fugi sem o professor ver e de descer correndo para a fila da cantina.
  A música me lembrou de jogar futebol depois da aula, de não fazer nada durante o intervalo. Lembrei de nunca fazer o dever de casa, e dar minha vida nas feiras de ciências. Lembrei dos amigos que fiz e de todos os momentos que passei naqueles corredores. Lembrei do meu último dia por ali.
   O tempo passa cada vez mais rápido, mas não dá pra esquecer os 10 anos que eu passei ali, vestindo aquele uniforme, fazendo amigos, adquirindo conhecimento de mundo, fortalecendo valores. Agradeço a tudo e a todos que fizeram com que meu ensino fundamental fosse tão maravilhoso e inesquecível.

Meu Primeiro Ensaio Sobre a Morte (Especial G. G. Márquez)

sexta-feira, 18 de abril de 2014

  Nascemos, vivemos, procriamos, ou não, e então morremos. É assim que tudo acontece. Chega um ponto da nossa vida que deparamos com a morte, seja de uma pessoa querida, uma pessoa admirada ou reconhecida. Me deparei hoje no jornal com a morte de um tal de Gabriel Garcia Márquez, os adjetivos usados para descreve-lo me deixaram curiosa. 
  Afinal, quem seria esse morto que despertara minha curiosidade literária e social? E assim foi com tantas outras pessoas que morreram sem eu ao menos ter a oportunidade de admira-las quando vivas. E me fez pensar na morte de pessoas que eu tanto admirei e amei. O que deixaram essas pessoas além de lembranças? Poucos serão lembrados daqui há alguns anos, outros viverão eternamente, seja por um motivo bom ou ruim. 
  Foi no meio da pesquisa que eu me deparei com o título "O Amor Nos Tempos do Cólera", o título do único livro que fui proibida de ler quando o apanhei na estante aos dez anos de idade. Estranho pensar que mesmo que você não saiba nada sobre essa pessoa que morreu recentemente, ainda sim faça parte de um pequeno momento na sua vida. 
  A vida é feita de pequenos momentos, de lembranças. Seja de uma música do falecido John Lennon ou de um livro do recém falecido Gabriel G. Márquez, essas lembranças que nós carregaremos para o túmulo, para a eternidade, que transmitiremos para nossos filhos e assim por diante. Ou não, ou tudo acaba e ponto final. 


"Não existe pior desgraça que morrer sozinho."
                                    Gabriel Garcia Márquez 

(Dedico esse texto aos mortos que deixaram lembranças à alguém e aos fãs de Gabriel Garcia Márquez)

Me dê um motivo pra ficar

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Pela janela eu vi os morros passarem
Mesmo distraída
Eu não consegui parar de pensar
Em um motivo para ficar

As horas demoraram para passar
A estrada era infinita
Eu estava cansada daqueles morros

Me dê um motivo pra ficar

Eu fiquei aqui tanto tempo
E tudo só confirmou meu pensamento
Eu tenho que ir

Vou sair daqui
Voltar pro lugar de onde vim


Clichê

sábado, 12 de abril de 2014

Ame o próximo
Seja ele quem for

Faça o bem
Sem olhar à quem

Sorria
Mesmo sem motivo

Respire fundo
Sempre que for preciso

Analise
Antes de falar

Arrisque
Mesmo que para errar

Próxima etapa

Tão pouco tempo
Tanto à se decidir

Depois de anos de mesmice
Acordando cedo
Assistindo aulas chatas
Fazendo dever de casa

Tudo isso por um motivo
Passar, passar no vestibular

Tá, passei
E aí? E agora?
O que eu faço?
O que eu serei?

E se não der certo?
E se eu não gostar?
E se eu fracassar?

Tanta coisa pra pensar
Dessa nova etapa
Que está pra chegar

Deixa que eu cuido de você

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Tão bom quanto ter alguém pra cuidar de você
É ter alguém pra você cuidar 

Não importa

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Não importa o tempo
O lugar
Ou as pessoas 

Não importa se houveram erros
brigas
discussões 

Não importa se mudou

O que importa é que quando é de verdade 
é para sempre

Sempre. 

Sem título

Mais uma história sem pé nem cabeça
Um texto sem título
Um poema sem sentimento
Um conto sem fada
Uma crônica fora da realidade
Uma dissertação sem fato
Uma assinatura sem nome

Apenas palavras juntas
Orações, frases

Não falo, logo não existo

Tão triste
Tão sóbria de mim mesma

Perdida no meio do pensamento alheio
Me olho no espelho
Nada vejo além
Além do reflexo de outro alguém

Ouço, mas ninguém me escuta
Sem ar
Falo, sem voz

Meus pensamentos me engasgam
Nenhuma palavra sai
Então continuo na mesma

Penso
Penso, não falo
Logo não existo


Essa guerra

Esse vai e vem
Esse disse-me-disse
No meio dessa confusão
Aqui estou

Parada no meio do tiroteio
Esperando a guerra acabar
Esperando os muros caírem
E a poeira abaixar

Espero
Já angustiada
Sem esperança
Sem acreditar em nada

No meio do cabo-de-guerra
Não há nada à se fazer

Espero
Já cansada
Sem vontade
Sem saber de nada

Escreva, escrever, escrito

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Tudo o que vejo por aí são texto de autores famosos, muitos mortos, outros que ainda vagam por aí escrevendo crônicas para jornais. Mas até em sites pessoais, em páginas em redes sociais, não há nada autêntico, nada que seja pessoal de verdade.
  E se a Lispector nunca tivesse escrito uma oração se quer, por estar ocupada de mais procurando por textos de gerações passadas que talvez se encaixassem naquela situação? E se existirem autores tão bons por aí quanto os que estampam capas de livros que serão sempre clássicos? Nós nunca saberemos, pois esses possíveis escritores estão muito ocupados procurando um texto do Veríssimo que ainda não foi postado.
  Que esses textos por aí sirvam de encorajamento para os novos escritores, que seus dedos dancem pelo teclado e nos apresentem algo novo, algo único, algo pessoal. Fale da namorada que você nunca teve, do emprego dos seus sonhos, mas fale algo seu, algo verdadeiro. Escrevam, escrevam como se o mundo fosse acabar e você precisasse dizer à você mesmo como foi o seu dia. Escreva como se nenhum escritor nunca estivesse escrito. Escreva um bilhete, uma anotação, uma carta de amor. Mas escreva. Mesmo que ache que não é bom o bastante, tente. 
  Escrever faz você lidar melhor com os próprios sentimentos e medos. Faz você por pra fora o que te sufoca. Escrever faz você parar, ler e ver o que tem dentro de você. Faz você se conhecer. Escrever é sempre bom, mesmo que você não tenha sobre o que dizer. 

Quem sou eu?

Tenho mais medos do que deveria
Penso mais do que sinto
Tenho minha vida planejada

Não sou diferente de ninguém
Queria alegrar à todos
Quero mudar o mundo

Não sou corajosa, nem forte
Tenho mais segredos do que gostaria
Me sinto sozinha às vezes, por opção

Sou teimosa e descontrolada
Amo incondicionalmente


Me olhe

sábado, 5 de abril de 2014

 Eu te vi com aquela garota
 Meus amigos disseram para eu não ligar
 Afinal você nem sabia o meu nome
 E não valia a pena 

Você passou me olhando e eu fingi não ver 
Eu não conseguiria dizer oi 

Eu planejei esbarrar em você
Não pense que eu sou tão desajeitada assim 
E nem que eu passei na sua frente
E não te vi ali  

Eu falo alto quando você está perto
Eu não olho nos seus olhos 
Eu finjo que você não existe

Mas só eu sei o quanto eu quero que você me olhe 
Eu quero que você me queira 

CZ

Quando eu não gritei

sexta-feira, 4 de abril de 2014

 Depois de tanto tempo calada encontrei meu cantinho. Não venha me censurar com o que eu disse ou escrevi, não me diga o que eu devo pensar. Deixe que eu seja eu mesma, pelo menos por um instante. Me achar.
 Não é novidade que tudo está acumulado em mim, que apesar de tanto tempo eu ainda fico sem ar ao querer falar. Então não falo, escrevo. Escrevo para aliviar a dor, pra expressar, pra esclarecer o que eu sinto, penso, faço.
  Eu me critico o tempo todo, eu guardo meus sentimentos para mim. Ninguém sabe, ninguém soube, ninguém ouviu quando eu não gritei. Eu nunca deixei que isso me afetasse, ninguém nunca notou. 

Dois fones e um travesseiro

Tão bom poder conversar
Ter alguém pra botar todos os demônios pra fora
Que saudade do teu cheiro

Não me importo em dividir o travesseiro 
Coloca um dos fones e ouve minha música
Deixo meu egoísmo de lados por ti
Minhas manias 

Te ligar
Ouvir sua voz

Farei macarrão e frango à parmegiana
Farei a cama e a pipoca pro filme
Farei a música com o teu nome
E o poema sobre teu amor

Amo você meu amor

Eu odeio insetos

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Eu odeio insetos
Eu odeio ficar doente
Eu odeio ter alergia

Eu odeio que errem meu nome
Eu odeio cair
Eu odeio não saber o que fazer

Eu odeio todos os erros que eu cometo

Mas tem essa pessoa
Com quem eu gosto de passar o tempo

Eu gosto de deitar na cama dele
Eu gosto de saber o que ele pensa
Eu gosto quando ele deita no meu colo

Eu gosto de chiclete de menta  
Eu gosto quando o céu está azul
Eu gosto de blusa xadrez

Eu não consigo achar as palavras certas
Mas eu queria de dizer tudo o que ele é pra mim