Separação

segunda-feira, 31 de março de 2014

  As vezes eu acordo de manhã, com saudade do calor. Então eu lembro de ir à pé pra escola e daquele uniforme que eu adorava e ao mesmo tempo detestava. A rotina de segunda à sexta, do leite pronto na geladeira, do tênis do lado de fora. E na hora do almoço, de volta àquela casa, tão grande e tão cheia, a roupa jogada no quarto, a mochila no chão da sala, o cheiro da comida pelo corredor.
  Ave-Maria. Hora da janta, todos reunidos na cozinha, contando sobre o seu dia. Tudo parecia tão bem, as vezes, de repente tudo pareceu tão ruim. E aquela rotina acabou. De manhã era frio, a casa agora vazia, o uniforme não era o mesmo. O jantar, ah, o jantar nunca mais foi jantar.
  Não sei se eu tenho saudade dessas pequenas coisas, de ter que guardar o tênis no lugar ou de arrumar a louça depois do jantar. Ou se sinto falta da família, unida. De beijar minha mãe ao chegar da escola e às seis horar ir receber meu pai. Sinto falta do bairro em que morei, das pessoas que eu conheci e da rotina, da mesmice do dia-a-dia.
   Eu me culpo, pela casa vazia e pela mudança, pelo sofrimento que causei por convence-los à persistir numa relação que já não dava mais há anos.

Não sei, não vejo, não ouço

 Já dizia Comte:
"Conhecimento é poder"
mas eu não quero ter poder
não quero conhecer.
Quero viver no meu mundo,
assistir TV.

Não,
não quero conhecer
o que está por trás da notícia do jornal,
da informação do rádio.
Quero ver meu futebol
e apreciar meu carnaval.

Quero comprar roupas de marcas
que vieram lá da China,
quero comprar um tênis
de origem desconhecida.

Não,
não me diga sobre política
nem me fale sobre as eleições
Me deixe aqui no meu mundo
de fantasias e ilusões

O homem e o rei que não quer ser "Zé"

domingo, 30 de março de 2014

  O homem é um ser engraçado, confuso. A sociedade corrompeu o homem desde o início da mesma. O homem sofre expectativas, o homem é cobrado. O homem é invejoso e egoísta. Ah! Esse homem… Esse homem que quer dinheiro, quer fama, quer ser rei. Mas rei não é maior, não é superior. O rei é só mais um "Zé". Rei não deveria receber nada por trabalhar pro bem-estar do povo, além de realização espiritual. Mas o homem, o homem quer dinheiro, e quer lucrar com tudo, até com serviço público.
  O serviço público virou uma grande máfia. E o homem ganancioso e já acostumado com o poder, com a busca pelo sucesso econômico individual, aceita, não reclama, não vê o lado negativo disso. Não vê que as escolas não funcionam, que pessoas morrem nas filas dos hospitais, que não deveriam nem ser chamados de postos de atendimento. Não vê que essa máfia só sobrevive por ser bancado pelos homens, homens que assistem ao pão e circo da máfia, do rei que não quer ser "Zé".
  De volta ao homem, que tudo vê, mas nada faz. Homem, que é o lobo do homem. Que as vezes luta tanto e não chega a lugar algum por ter alguém que chega lá primeiro, por alguma "mão mágica" da máfia, isso a fortalece. Homem, reage homem, que o mundo é seu! Não acho que o mundo vá ficar em orbita por conta própria, temos que agir homem, agir!