Simples

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Num simples pensamento
Perdi o rumo,
Esqueci as palavras
e onde eu estava.

Num simples movimento
Me deixei levar pelo sentimento
e perdi o ar ao falar o que pensava.

Na simplicidade da minha existência
não lembro mais quem era.

Eu Odeio Meu Aniversário

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

  Ninguém entende quando eu digo que odeio meu aniversário. Deveria ser o dia mais esperado do ano, é como seu próprio e mais pessoal feriado. Muitas pessoas fazem contagem regressiva e planejam tudo meticulosamente para que o dia seja perfeito. Há também as que não desgrudam do telefone devido ao enorme número de ligações. Eu invejo profundamente essas pessoas.
  Odiar meu aniversário é algo tão natural pra mim quanto ter medo de altura. Não vou dizer que não tive momentos de felicidade no meu aniversário, pois não é verdade, recentemente em algumas horas pude sentir um pouco do que é aniversariar. Mas mesmo assim todos, sim, todos, foram marcados por alguma coisa estúpida que destruiu meu feriado pessoal.
   Algumas pessoas acham que eu estou brincando quando digo isso, ou que estou sendo muito dramática ou radical. Porém a verdade é inevitável. Desde que me entendo por gente, quando fiz cinco anos para ser mais precisa, todos meus aniversários tiveram algumas lágrimas, minhas ou não, mas lá elas se fizeram presentes de alguma forma.
   Por anos eu cheguei a acreditar que isso era uma perseguição, um karma. No final acabei aceitando já que por mais que tudo pareça certo, no final do dia vai acontecer algo. Eu poderia listar por ano tudo o que aconteceu no meu aniversário, mas isso não é necessário, eu sei de tudo, mas ninguém precisa saber.
  Não esperem que eu vá no twitter dizer "Enfim, é hoje!" ou que eu saia no dia do meu aniversário para comemorar, porque, apesar de fingir que não ligo, passar por esse dia é como se eu estivesse apta para ser ferida, é como esperar para que algo ruim aconteça. Mesmo assim agradeço aos parabéns que recebo e aguardo ansiosamente para ver o marco da vez.

O Prazer da Minha Própria Companhia

domingo, 30 de novembro de 2014

Um café no shopping
Um cinema às três da tarde
Um passeio no parque
Um mergulho no mar

Um jantar num restaurante
Uma compra no mercado
Uma caminhada no lago 
Um show num lugar fechado

Não Vou Dizer

sábado, 29 de novembro de 2014

Não vou dizer que minha saúde está como antes
Que meus remédios estão guardados
Que meu coração anda calmo

Não vou dizer que não choro quando ninguém vê
Que não penso no que quero ser
Que não faço por preguiça de viver

Não vou dizer que eu sigo o que foi recomendado
Que ouço o que me falam
Que analiso os fatos

Não vou dizer que eu não sinto
Que não penso
Que não acredito

Nessa Vontade de Querer

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Nessa vontade de querer gritar pro mundo o amor que não cabe mais em mim
Encontro forças para lutar todos os dias por algo incerto
Buscando um substantivo concreto
Mesmo que tenha que procurar em Berlim

Nessa vontade de querer seu coração

Encontrei o meu que andava escondido
Fugindo do perigo
Evitando a solidão

Nessa vontade de querer um pouco do teu amor

Me esqueci dos outros e te fiz de umbigo
Como um Sol, até nos domingos
E assim que te vi, deixei de lado meu rancor

Nessa vontade de querer você aqui por perto

Surto por não ser capaz de fazer algo de imediato
Mesmo que me esforce ao máximo
Investigo maneiras de agilizar o processo

Oi,

  às vezes eu me sinto uma maluca por procurar você na rua nos detalhes que deixo passar. Minha mente têm esse péssimo hábito de me pregar peças para que eu ache você até no ar.
   Eu lembro de todas as declarações que fiz que mais pareciam depoimentos do orkut. Lembro de quase tudo que passamos, apesar de você saber que minha memória é um verdadeiro Windows 95. E tudo o que nos trouxe até aqui, me leva a crer que a gente faz o nosso destino.
   Ainda me intrigo com todas as vezes que fico sem ar só de ouvir sua voz, e pensar que eu quero chorar sempre que estou só. Mas lembro de todas as vezes que chorei ao telefone e você me confortava mesmo distante, mesmo sem palavras. 
   Você sabe que talvez ninguém nos leve a sério, ainda mais com essa brincadeira de gato e rato em que vivemos, mas mesmo assim persistimos e mostramos à todos porque estamos aqui. 
    É isso, enfim. 

Não É De Hoje

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

  Não é de hoje minha paixão por blogs, criei meu primeiro blog quando eu tinha 11 anos e falava sobre coisas aleatórias que eu achava na internet, tipo famosos no twitter ou um vídeo novo que tinha lançado. Por muito tempo mantive um tumblr, depois troquei, e depois troquei de novo. E depois de algum tempo cá estou eu de novo escrevendo num blog.
  Tanto o Jamais Amélia como no Amélia On-Line, um blog alternativo desse. É como seu eu tivesse essa sina de manter conectada, ter um espaço que é só meu, mesmo que on-line, é importante pra mim. Pois só nele eu posso ser eu mesma, dizer o que penso, o que quero, o que gosto.
   E hoje exploro uma nova paixão, a fotografia, a primeira de muitas. O foco foi mostrar um pouco dessa vida de blogueira que tem me cativado gradativamente. Não espero agradar a todos, na verdade, à princípio o objetivo era só agradar a mim mesma, mas a vontade de gritar para o mundo "EI! OLHA SÓ QUEM EU SOU" é maior.
  

AMÉLIA ON-LINE DE CARA NOVA

http://ameliaon-line.blogspot.com.br

(Parte 2) Amor à Distância e Amizades

  Nesse meio tempo de subir e descer de quinze em quinze dias, acabei descobrindo coisas como o amor à distância e fazendo amizades que eu nunca tive. Ficar longe do namorado nunca é bom, mas te ensina muitas coisas, como ter paciência, ser mais compreensiva e a aproveitar cada momento.
  Namorar é sempre aquela expectativa toda. Namorar a distância é terrível porque tudo o que você faz ou planeja fazer aparece um "queria que meu namorado estivesse aqui" e quanto mais tempo têm o namoro, pior isso fica, as lembranças são muito intensas assim como a vontade de tê-lo por perto.
   Eu nunca fui uma amiga ideal para falar a verdade, confesso que me mudar dificultou tudo. Claro que sempre tem aquela amizade que tu fala de cinco em cinco anos e é como não tivesse mudado nada, mas ao mesmo tempo 99% dos laços se desfizeram. Por bastante tempo eu me senti excluída, sozinha.
   Foi difícil no começo, ter que ficar me adaptando, nunca tinha ido pra um lugar novo, foi bem radical. Na segunda tentativa admito que fiz amizades que não quero perder nunca. É sempre bom ter alguém que se lembra de ti, que mesmo que te conheça a pouco tempo parece que te conhece a anos. É bom ter amigos, mesmo que distantes, seja por quilômetros ou por uma rua.

Um Ano e Meio

  Ainda era cedo quando fechei a última mala, estava pronta, ansiosa. Deixei toda a angústia e o estresse  acumulado de lado e embarquei consciente do meu destino. Confesso que odiei aquele lugar por muito tempo, mas a vida é engraçada e me mostrou que nós realmente só damos valor a determinadas coisas quando as perdemos.
   Eu adorava andar de ônibus quando não tinha mais ninguém na rua, e ele ia tão rápido que eu não conseguia ficar na janela. Eu adorava andar naquelas mesmas ruas, cheias ou vazias, de dia ou de noite. Eu adorava ter liberdade, ir nos lugares, me divertir. Eu podia ser quem eu quisesse afinal, ninguém sabia quem eu era, nem eu mesma.
   Muitas pessoas acharam que a ida pra essa cidade não passou de uma fase ruim, mas eu preciso admitir que foi muito melhor do que eles pensam. Até eu mesma achei que eu odiasse aquele lugar, e queria me livrar dali o mais rápido possível, mas no fundo eu sabia que sentiria falta daquela cidade. Lá eu era tão eu, tão livre, de um jeito que eu nunca pensei que pudesse. Mas felicidade de pobre dura pouco, e a minha durou um ano e meio.

Amélia na guerra

domingo, 19 de outubro de 2014

   Ás vezes nascemos com pessoas já pré-determinadas a fazer da nossa vida um inferno pessoal. Eu juro que procurei mil razões para que as coisas fosse assim. "Karma", "história de outra vida", poderia ser tudo e mais um pouco, mas nada explica a determinação da pessoa com essas atitudes que me machucaram tanto durante tantos anos.
   Eu nunca revidei, eu nunca gritei, eu nunca fiz nada radical para acabar. Eu sempre acabava com a cabeça baixa, guardando tudo, engolindo tudo. Não valia a pena me rebelar, eu sabia. Enquanto isso eu só me afastava, de todo mundo. Eu me isolei no meu mundo particular, pois não queria que mais ninguém me fizesse todo aquele mal.
   E com o passar do tempo as coisas só pioraram, bastava que eu desse um movimento em falso para que toda aquele sofrimento voltasse. E voltou pior do que um dia foi. Mas ninguém entendia, como aquilo me fazia mal, sempre dizendo "Mantém a calma, um dia passa", passa? Só piora!
   Quando eu comecei a entender as coisas, como as brigas desnecessárias e todas as coisas que eu ouvi que me magoaram, tudo gerou um enorme rombo na minha vida, eu estava em transição. Eu ouvia e não comia, não dormia, mal vivia. Ninguém via. Eu estava sozinha naquela guerra, e eu estava desarmada.

Amélia Burguesa

domingo, 12 de outubro de 2014

Menina burguesinha nunca passou fome.
Sempre teve macbook e o mais novo iPhone.
A hipocrisia lhe rondava
Sempre questionava tudo mas não fazia nada.

Ela vivia pesquisando um jeito de viver;
Mas não conseguia largar o capitalismo do seu próprio ser.
Era como um peixe que queria sair do aquário.
Tentava mudar o mundo mas não arrumava o armário.

Ela vestia roupas de marca
E lia Marx na internet.
Ela reclama do governo ausente
mas não sabe o nome do presidente.

E Quem Nunca Se Perdeu?

sábado, 11 de outubro de 2014

  Ela olhou para todos os lado e não encontrou a mão que lhe guiava por ali. Depois de apenas uns segundos que passou distraída a menina se viu no meio daquela multidão de gigantes e nenhuma daquelas pessoas era a única que lhe trazia confiança.
  A menina sentiu o medo e o desespero tocarem seus pés e subirem à cabeça. Ela andava para lá e para cá desabrochando em lágrimas, em busca daquela segurança. E quanto mais ela andava maior era o sofrimento.
  Alguns gigantes olhavam de longe, mas não se aproximavam. Uma eternidade se passou e cansada, a menina desistiu, sentou no chão e deixou o desespero a dominar. Ela não sabia o porquê, nem onde, mas sabia que estava perdida, sozinha. Em questão de segundos, que mais pareciam horas, a menina foi resgatada pela tal pessoa que lhe guiara e lhe abandonara.
  A menina cresceu, e depois de adulta a situação era parecida. Mas não era a mão que ela havia perdido, era um coração. O antigo cenário do mercado foi substituído pela vida e aflita, a mulher buscava pelo coração que a abandonara.

Deixa chover

terça-feira, 30 de setembro de 2014

   Me prendo à coisas bobas pois tenho medo. O medo me consome e não me deixa andar. Dependo de detalhes, de manias, de superstições, de memórias. Dependo de coisas bobas para seguir em frente, para viver dia após dia.
   O medo de perder, de viver nessa mesmice, de fracassar. Tanto o que pensar, o que sentir, acabo me privando de viver por pensar de mais, por hesitar. Nunca arrisco, nunca confronto, nunca faço nada, só fico parada no meio fio esperando o medo me derrubar. E enquanto o medo não me derruba de vez eu passo os dias criando mentiras, ditando manias, escrevendo besteiras, qualquer coisa que me afaste de tudo, para que me torne mais humana, criando uma personalidade, um hábito que eu nem ao menos sei se é verdadeiramente meu.
    Revirando o pretérito, os amigo, os momentos, tentando relembrar de quem eu um dia fui, de quem eu deveria ser, do que aconteceu. Assim, me afasto do presente monótono e solitário, em que tudo o que faço é viver no passado ou planejar o futuro, para que a tristeza me liberte e eu siga o fluxo. E então permaneço esperando que isso seja apenas uma fase ruim, no meio dessa garoa. Deixa chover.

Rezei para a chuva não vir

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

e que de noite eu pudesse ver as estrelas
Esperei as tardes passarem lentas
pois eu não queria levantar da cadeira
O relógio derretido de Dalí me avisou
que o tempo perdido nunca seria recuperado
E com um toque de mágica 
tudo o que eu conhecia foi parar no espaço
Deixei os meios ligados,
o sistema arrumado
Esperei por um sinal do Além  
E mesmo assim,
como um dia sem fim
Novamente dormi sem dizer amém

Luta Sem Causa

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

 De repente, as palavras que entraram pelos meus ouvidos abafaram o mundo à minha volta e me deixaram sem forças para reagir. Era como se eu tivesse visto um filme terrível e não pudesse fazer nada para muda-lo e as lembranças daquelas cenas viessem para me assombrar a cada passo que eu dava. 
  Em tão poucos segundos a agonia tomou meu peito e levou aquele sofrimento à um nível completamente diferente. Era como se todos estivessem contra mim. O mundo inteiro, como se todas minhas atitudes, todos meus atos, fossem um enorme pecado, algo digno de julgamento de nível superior. 
  Como se não fosse suficiente todos os anos de tortura e angústia, cada dia que passa parece mais uma batalha e eu não ganhei nenhuma delas, e pelo visto nunca vou ganhar. Uma guerra perdida, uma luta que eu nem lembro mais a causa. Mas persisto, fingindo ser forte o suficiente para mais uma batalha, mais uma derrota, mais uma angústia.

E onde foi parar a liberdade?

domingo, 14 de setembro de 2014

   O Sol queimava a pele de todos na orla da famosa praia de Ipanema, as cangas de desconhecidos se encontravam devido a presença da multidão que se estendia pela areia. Crianças brincavam nas ondas do mar que quebravam sem piedade e levavam até os adultos embora. Vendedores ambulantes anunciavam suas mercadorias e a originalidade de cada um chamava a atenção do freguês. 
   "Fica esperta, fica esperta", a mãe dizia para a filha que dormia tomando um banho de Sol. E em poucos segundos todos se levantaram e correram para a calçada. O tumulto, a angústia se propagou até onde não era possível ver. Passando pelas bancas de jornal era possível ler "Operação Verão: Rio tem domingo de sol com reforço policial nas praias". 
    E onde estaria o tal reforço que levaria os assaltantes que fizeram diversas pessoas pulares de suas cangas e procurarem o rumo de casa mais cedo? A liberdade (L. civil:poder de praticar tudo o que não é proibido por lei) do cidadão está novamente em jogo. Sabendo que nem em um dia de lazer, como um domingo de sol na praia, estamos livres da insegurança e das questões sociais que levaram esses jovens à praticarem arrastões. Então, onde foi parar a liberdade? 

De Novo Não

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

  Ela olhou para os próprios pés pois queria correr dali. Sem nada nos bolsos e muita agonia no peito Amélia resistiu. Todos falavam o que bem entendiam, mas Amélia nunca respondeu como ela se sentia. Devastada, a menina que não tinha direitos nem liberdade se viu naquela encruzilhada de emoções. 
 Amélia se viu acorrentada à si mesma, "Que paradoxo." pensou. Mas mesmo assim largou sua espada no chão e com as próprias mãos cavou em busca do inferno. Ela acreditava que descendo todos esqueceriam que Amélia um dia foi um ser humano. Mas no momento, o redor estava destruído. Mas como quase tudo em sua vida, Amélia desistiu de tentar.      
  Amélia morava num forte, como Rapunzel. Mas Amélia não tinha longos cabelos para encontrar seu Romeu, nem para fugir. Só lhe restou chorar, como sempre fazia, não comia, não sorria, não sentia. Amélia voltou para aqueles dias que só ela sabia de como era horrível passar. Ela sobreviveu aos leões, mas ela preferia ter sido comida, do que ter que viver mais um dia naquela situação. 

Amélia apodrecida

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

  Amélia não sabia quem ela era, e nem tinha interesse de saber. Gostava de andar alheia ao mundo, feliz por não entender. Amélia levava o dia com a barriga, para não se aborrecer. Afinal, Amélia de verdade sabia que era melhor não se envolver.
   No meio do mar de sentimentos em que vivia, Amélia se sentia perdida, na verdade ela nem sabia o que sentia. Ela vivia numa confusão só, sozinha, fingia sentir e saber o que não sabia. Fingia como sempre fingiu, nada a atingiria. Fingiu estar bem sozinha.
  Apesar da bagunça em que Amélia vivia, ela sabia que nada era pior a sanidade hoje em dia. Pois o que vale a fruta estragada, quando há uma sadia? Amélia, esquecida por si mesma, sabia, que melhor viver apodrecida, mesmo sem saber, do que ser atingida pelo o que não se vê.

Antes

terça-feira, 12 de agosto de 2014

   Lembro das noites mal dormidas querendo voltar pra casa. E depois de tantas mudanças de hábito eu tinha encontrado um lugar. Eu gostava de andar por aí, de passear sozinha, de ir pra escola. Eu não sabia, mas apesar de tudo, aquele lugar me fez bem. 
   Em tão pouco tempo eu fiz amizades que hoje sinto falta no meu dia-a-dia. Eu era eu mesma, eu era falante e não ligava pra nada. Eu achava que ficaria melhor longe desse lugar frio e seco, mas não imaginaria a falta que sentiria das condições em que vivia.
  Agora todos os círculos desse lugar que eu tanto desejei estão fechados, e parece que não tem lugar pra mim. Eu não me reconheço mais, eu não tenho falado tanto e me importo com tudo. Eu me sinto perdida, pois não sei andar por aqui direito. E por mais que eu tente, minhas atitudes são relevantes, afinal, não há ninguém pra me ouvir. 
   

O Outro

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

  Naquela tarde pensei em todas as coisas terríveis que eu queria ter dito. Sobre como você fez com que eu me sentisse um verdadeiro lixo e como eu desejei que você mudasse a tempo. Mas naquela tarde seu desprezo se tornou evidente, que até quem estava de fora notou. Eu tentei virar o jogo, mas ninguém muda ninguém.
   Eu achei que depois de tantas confusões você notaria que toda a tristeza que te cerca foi você quem atraiu. Mais fácil colocar a culpa no outro, que tanto sofreu ao teu lado, como se todos estivessem errados, loucos. Mas eu não vou contra tua verdade, afinal é tua e só tua.
  Além de me agredir com tuas palavras, como se não fosse o suficiente, faz de mim o seu pesadelo inevitável e lastima minha presença, a partir de todos os detalhes de mim. Como se eu já não soubesse dos meus defeitos, há de aponta-los e orgulhar-se da tua superioridade.
   Não reclame quando eu for embora, pois será tarde de mais. Cumpro minha obrigação e só. Então deixe-me em paz pois tua verdade não há de me afetar, não mais. 

 

Jamais Amélia

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

   Sempre gostei de escrever. Escrevo poemas e histórias longas, escrevo crônicas e dissertações. Apenas por gostar de escrever. Por me sentir bem escrevendo. Colocar minhas idéias e sentimentos no "papel" torna tudo mais claro.
    Invejo os artistas, que com um pincel demonstram os sentimentos com facilidade. Invejo os atores, que demonstram uma realidade alheia com o próprio corpo. Invejo os músicos, que com notas toca-nos a alma. Invejo os ousados, que falam o que querem e demonstram sempre à si mesmos. E eu, que escrevo, que tragédia sou.
     Me escondo através de uma personagem, que nem foi eu mesma que criei. Ainda sim, é meu refúgio. Dizer o que sinto, o que penso, o que entendo. Sem mentiras, sem medo, só tentando clarear o meu próprio eu. Sendo Amélia, apesar de não querer. Com os dedos nos teclados do computador eu sobrevivo.

Como A Borboleta

quinta-feira, 24 de julho de 2014


Eu me lembrei daquele novembro, que eu te abracei e chorei no teu ombro. Eu ia embora, e não sabia quando voltava, nem se voltava. Mesmo assim você não desistiu de mim, disse que daríamos um jeito, que ficaria tudo bem. Era tudo recente para mim. Era a primeira vez que eu vi que alguém me amava de verdade e iria lutar para que desse certo.
  Voltei. E agora você se vai. Me parece bem injusto o destino. Preciso admitir que o medo e insegurança estão mais fortes do que há dois anos atrás. Eu sei, não devo ficar triste, vai ficar tudo bem, você vai para o teu bem, tua felicidade. Mas o "E se…" chegou com tudo dessa vez.
  Me prendo ao passado e ao futuro, deixando que o tempo e o destino se encarreguem de tudo. Assim como a borboleta é apenas borboleta, o tempo é apenas tempo e a distância é apenas distância. E que o tempo e a distância deixem que nosso amor seja apenas amor, pra sempre e perto, bem perto.


  (Passa Uma Borboleta - Fernando Pessoa)

Eu Ainda Sinto Falta Dela

sábado, 19 de julho de 2014

   Eu tinha oito anos e me apresentaria no coral da escola no dia seguinte. Eu não poderia estar mais animada. Pedi para ela passar a blusa que eu usaria, mas distraída ela criou um enorme buraco na blusa. Ela ria tanto, mal conseguia respirar, nem ao menos explicar o que tinha acontecido. Ela me ensinou a passar minhas roupas sem queima-las.
   Ela preparava miojo com bacon no almoço por estar com preguiça de cozinhar mas no jantar ela fazia questão de fazer strogonoff, meu preferido, que mais tarde ela me ensinou a preparar. 
  Ela, que me levava onde fosse preciso e fazia todas minhas vontades. Ela, que jogava fora a beterraba antes que meu pai visse que eu não tinha comido nenhuma. Ela, que fumava o dia inteiro e tinha vergonha de ser vista comendo. Ela, que basicamente me criou.
   Depois de tantos anos, ela não ia mais todos os dias na minha casa. Ela não tinha mais forças para preparar meu strogonoff, nem para subir as escadas da minha casa. Ela emagreceu absurdamente e resolveu parar de fumar. Seu cabelo foi caindo e sempre que eu a encontrava ela estava passando mal.
   De volta de uma viagem com minha família recebemos um telefonema, e mesmo sem minha mãe dizer eu já sabia, ela nunca mais voltaria na minha casa, ela nunca mais prepararia strogonoff pra mim, eu nunca mais a veria.
   Eu sei, nunca vou esquece-la, e mesmo depois de tantos anos eu ainda choro ao pensar que ela não me ouvirá falar sobre meus amores e meus novos amigos, que ela não me verá formada, nem casada. Ainda choro ao pensar que ela nunca conhecerá meus filhos. E eu lamento não tê-la por perto para cantarolar meu nome ou para se sentir orgulhosa de mim pelas minhas conquistas.

Sai da Lua, Analuna.

quinta-feira, 17 de julho de 2014


 Analuna vivia no mundo da Lua. Não queria a ajuda de ninguém, mas queria ajudar todo mundo. Ela se fazia de forte mas sabia que a flor que florecia dentro de si não tinha espinhos. 
 Analuna era protetora quando os outros precisavam dela e se afastava quando ela precisava dos outros.
  Analuna não sabia, mas as pessoas à sua volta queriam entendê-la melhor. Poder saber o que está acontecendo. Analuna deveria deixar novas pessoas entrarem em sua vida. Analuna deveria sair da sua Lua particular. 


Chegou a hora

  Ela se virou e respirou fundo. Sabia que estava na hora de falar alguma coisa. Tomou o peito de coragem e desabou, mas dessa vez pôs tudo para fora. Apesar do coração estar leve a mente pesou. Ela sabia do que estava por vir.
  Nem dois minutos se passaram, com o coração apertado ela se sentiu sozinha. Viu que chegara sua hora de crescer, viver, agir. Ela se sentiu orgulhosa por deixar os medos de lado, por fazer alguma coisa. Amélia deixou de dançar conforme a música.
 

Ela

domingo, 29 de junho de 2014


Foto do Google



 Ela olhou pros lados procurando por um alguém. A sala estava cheia, assim como sua mente. Não dava para não notar. Ela era um ser curioso, difícil de decifrar. Queria distância quando na verdade ela precisava de uma mão, esnobava quando se deparava com alguma situação difícil.
 Por meio das palavras ela se encontrava, mesmo que às vezes fosse complicado falar. Ela é uma pessoa forte, disso eu sei. Ela quer proteger todos que gosta e não tem vergonha de ser quem é. 
 Ela era capaz de criar um laço muito forte com as pessoas e desfazê-los também. 

 (Espero que ela se permita ser ajudada por pessoas que se preocupam com ela. Espero que ela nunca desfaça o nosso laço.)
  

Acordei, mudei, cansei.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

 Acordei e pintei o cabelo. Depois de um tempo resolvi cortar. Esperei ele crescer um pouco e fiz franja. Agora quero que ele cresça novamente para eu mudar. 
 Ontem minhas unhas eram azuis, hoje quis vermelho. Hoje eu usei vestido de bolinha e sapatilha, amanhã devo usar coturno e jeans, escolho ao me olhar no espelho. 
 Semana passada a parede do meu quarto era coberta de pôsters de bandas, hoje só há um quadro sem vida. 
 Mudo do dia para a noite, tentando me adaptar no maeu próprio eu. Que confusão que sou. Buscando um jeito de ser mais eu e menos os outros. Mas descobri, nunca serei só eu, sempre serei igual à alguém. Que tristeza. 
  

Só Nós Dois

sexta-feira, 20 de junho de 2014

 Faz tempos que não escrevo para um certo alguém. Hoje voltei às minhas origens, relembrei das cartas guardadas e dos e-mails enviados. No século XXI e nós ainda tão apegados e tão românticos, mesmo que não tenhamos coragem de admitir.  
 Eu penso em todos os dias em que passamos distante e em como eu queria reverter cada minuto longe em um dia inteiro com você. Ah, meu amor. Todas as nossas brigas por pessoas de fora só me mostraram como somos fortes e como merecemos ficar juntos. 
 Nesses últimos anos amadurecemos e aprendemos a ser mais compreensivos, pacientes. Quem diria que o tempo passaria tão rápido? E já estarei aqui, de volta para seus braços, como se nunca tivesse saído. 
 Juro, transformarei todo o meu amor em determinação e o meu sonhado futuro há de se tornar realidade. Sem ninguém para interferir, sem distância, só amor, só nós dois. 

É Hora de Voltar

 Sair de casa sem querer não é fácil, ter que mudar a rotina é pior ainda. Imagina mudar de cidade contra a vontade? Eu saí de um lugar que eu era querida e amada, que eu conhecia todos, que eu tinha a onde ir, o que fazer. Acabei em um lugar vazio, em que eu não conhecia ninguém e não tinha nada para fazer. 
 Eu tentei fazer novas amizades, procurei lugares, mas tudo o que eu consegui eram pessoas que não gostavam muito de mim. Passei um ano inteiro tentando me livrar desse lugar, procurando, fazendo planos, eu precisava sair daqui. Até que aqui ao lado encontrei um lugar novo. 
 Fui bem recebida pela maioria, os outros aos poucos me aceitaram. Mesmo sem forçar nenhuma amizade, já de cara simpatizei com as pessoas. Fiz amizades que eu nunca pensei que poderia, nesse lugar de cinzas. 
 Eu nunca vou esquecer dessas pessoas que eu me aproximei em tão pouco tempo, mas agora é hora de voltar para casa

Bye bye Rede Social

terça-feira, 3 de junho de 2014

  Sempre a mesma pergunta "Ué, por quê?". Eis aqui a minha resposta para os diversos porquês que recebi essa semana: Porque sim. Eu parei de entrar na maioria das minhas redes sociais porque sim, porque eu estava cansada de ficar horas e horas olhando aquelas páginas. As vezes nos apegamos às coisas erradas. Na maioria dessas redes sociais eu vi coisas que me deixaram irritada e/ou triste, pessoas que fazem e dizem coisas que não me agradam ou que não me convém. Nesses sites vejo fotos de pessoas que mal conheço, e talvez nem tenha interesse de conhecer.
   Eu estou cansada de todo esse circo que acontece nesses páginas, de todos os desentendimentos, de pessoas querendo passar uma imagem diferente de quem elas são, de todo esse jogo de "minha foto tem mais curtidas que a sua", de tantas besteiras que não deveriam estar expostas por aí.
   Eu não preciso de uma foto de capa legal, de um tweet muito retuidado para ser alguém interessante. Eu sou quem eu sou, e não preciso provar nada pra ninguém, não preciso dizer ao mundo qual a minha opinião sobre tudo, porque eu sei o que penso e sinto, e isso me basta. Talvez você pergunte, então pra que o blog? O blog é um dilema que eu conto outro dia…. 
   Eu não exclui minhas contas definitivamente porque, devido a minha situação, de ter recentemente mudado de cidade, e pelo fato de que isso ocorrerá novamente, eu não quero perder contato com certas pessoas que muitas vezes são difíceis de se encontrar.
   É basicamente isso. 
 

Filho do Divórcio:

domingo, 1 de junho de 2014


  Só os filhos sabem de como é tudo tão delicado, tão complicado, tão doloroso. Mesmo que não hajam  brigas, a atmosfera diz tudo, e se houver, tudo o que queremos é gritar tão alto até não ouvir nada além da nossa própria voz. Porque por mais que esteja tudo de mal a pior, a instabilidade nos fere, pra sempre.

Sobrevivendo

quarta-feira, 28 de maio de 2014

   Ás vezes ficar alheia é a melhor coisa que faço. Fingir que não vi, que não sei, que não sinto. Não é porque quero, mas por questão de sobrevivência. Não dá pra viver no meio desse ninho de cobras, de pensamentos, e querer combater tudo, sentir, expor.
   É contraditório, pois eu quero ser livre. Livre de pensamentos obscuros, livre de sentimentos estúpidos, livre de tudo. Mas eu também preciso sobreviver. Se não, pra quê tudo isso? "Save it for yourself"* eles disseram.
   Por enquanto sigo alheia a tudo, à mim. Cada vez mais submissa ao meio, cada vez buscando por outros caminhos para sobreviver, sempre cada vez mais Amélia. Até que esse ciclo acabe, e então quem sabe eu serei livre de verdade.


*"Save it for yourself" expressão em inglês que significa Guarde para si mesmo.

De Quem É a Culpa?

sexta-feira, 23 de maio de 2014

  Com poucos anos ela já se achava dona do próprio nariz. Ia de lá, pra cá, ninguém se importava. Ela foi esquecida pelos pais e sempre fez o que quis, já se achando mulher. Não tinha nem doze anos quando tudo mudou. Ela conheceu um rapaz. Ele tinha dezessete e jurava o coração. Era seu primeiro amor e ela nunca recebeu nenhuma orientação.
  Largada nesse mundo, sem alguém pra guiar, a menina de doze anos se perdeu. Loucamente apaixonada, foi deixada pelo tal amado depois de dizer o que aconteceu. Ela havia engravidado, mas nem oração ela tinha aprendido. Seus pais só depois de oito meses descobriram. A menina foi julgada por Deus e o mundo. Mas ninguém faz filho sozinho, ninguém deveria deixar filho sozinho.
  E então pergunto: De quem é a culpa? Culparia a mídia, que influência as crianças, que propaga vulgaridades, além de alienar? Culparia a família, que largou a criança e nunca fez questão de cuidar? Culparia o menino, que engravidou a menina e depois a deixou pra lá? Culparia a menina, que se permitiu passar por isso e nunca imaginou no que iria dar? Culparia a mim mesma, que escrevo a história dessa menina ao invés de fazer algo para mudar? Culparia você, que julgou a menina no lugar de fazer algo para que a história não se repita.


     vi na TV 

Ensaio Sobre Estereótipos

segunda-feira, 19 de maio de 2014

   Ao escrever uma redação hoje na aula eu vi o tamanho da hipocrisia da minha turma. O tema? Estereótipos, narcisismo. O Objetivo era dissertar sobre a sociedade que vive em busca de um corpo perfeito, que não se aceita do jeito que é, repleto de críticas e insatisfações.
   Esse assunto acaba nos submetendo aos anabolizantes, às cirurgias plásticas, à academia obsessiva. Todos sabemos do mal que essas coisas fazem, porém a maioria das pessoas persistem em optar por esses caminhos, mesmo que daqui há alguns anos todo o esforço tenha sido em vão.
   O momento de beleza, do corpo perfeito, não, nunca vai ser o suficiente, essa vontade vira uma bola de neve que cresce gradativamente. E até hoje eu não sei o por quê, se é para agradar o outro ou à si mesmo.
   Onde está o amor próprio? Por que não ser saudável e só? Não precisa ter uma bunda grande, peitos fartos, o cabelo igual ao da modelo tal. Você só precisa ser você. Não faça cirurgias para você ficar bonito(a). Aliás, o que é bonito? É o que estampa as capas de revista e os sites de fofoca? Bonito mesmo é ser você mesmo.

Quase Alice

domingo, 18 de maio de 2014

  Estava tudo bem, tudo ótimo para falar a verdade. Eu era feliz, eu era. A ignorância era minha aliada, eu não sabia de nada que acontecia, não via, não ouvia, não entendia. E eu era feliz, é, eu era. Eu manipulava e fazia tudo do meu jeito, mas nessa fase isso é comum. O bonzinho sempre ganhava no final.
  Então as brincadeiras acabaram, tudo desabou. O mundo de fantasias em que vivia, foi destruído por uma bruxa má chamada Adolescência. De repente brincar já não tinha graça, eu via tudo, ouvia tudo, entendia tudo, e isso me deixou cada vez pior. 
  E no meio de tudo isso eu não sabia quem eu era, eu me sentia grande quando eu era pequena, e me senti pequena quando grande. Quase Alice, mudando a cada parágrafo, achando o estranho normal e o normal estranho, conhecendo um mundo novo, me conhecendo mesmo achando que eu já sabia de tudo. 
 

Não é tão fácil escrever

quinta-feira, 15 de maio de 2014

 Não é tão fácil escrever, pelo menos não pra mim. Meus problemas são tão fúteis. Quando eu acho que está tudo errado eu vejo as tragédias ao meu redor, me sinto tão estúpida por reclamar de uma realidade monótona. Tão criança, achando que posso ser alguém só com as minhas palavras.
 Não passo de uma menina de dezesseis querendo falar bonito, fazer sentido. Eu posso ter lido Pessoa, Lispector e Veríssimo. Eu me finjo de culta, isso, eu só finjo. Não entendo nada, mal me conheço. É engraçado pensar que eu não me encontro ao me olhar no espelho. E dessa pequena bobeira eu acho que posso fazer um poema bonito.
  Não é tão fácil escrever. Queria ter um pouquinho desse dom, poder transformar tudo num soneto, mas não consigo fazer nem o primeiro quarteto.

Quinze Por Quinze (15/15)

quarta-feira, 7 de maio de 2014

  Estiquei o braço, já cansada, sem forças. O dia foi longo, foram cerca de quinze horas na rua, sem ir para casa, sem parar para respirar. Entrei naquela enorme máquina de metal, ansiosa para voltar para casa.
  Seria difícil escolher entre tantos vazios, se não fosse por um detalhe. O vento ou o ar, tanto faz. Sem a janela eu me sinto sufocada, como se fossem deixar meu pulmão vazio e eu nunca mais seria capaz de respirar de novo.
   Escolhi um lugar mais alto, que tinha mais janelas possíveis. Escancarei-as. Então a velocidade aumentou. Mesmo tendo que me concentrar para fazer um pouco daquele oxigênio entrar no meu pulmão, fechei os olhos e aproveitei cada átomo que me enfrentava com uma leveza indescritível.
   Pode ser que ninguém me entenda, mas aqueles quinze minutos de viagem valeram por todos as quinze horas de tarefas. Ouvir uma música tão fresca quanto "Temporal", que te remete à sensações tão agradáveis, enquanto o ar invade toda a imensidão do teu próprio vazio dos últimos dias, são coisas que me lavam a alma.
   Então caro leitor, que assim como eu, desfruta do transporte público, sempre que puder escolher um lugar, escolha próximo a uma janela. E se sentir-se vazio, feche os olhos, e deixe com que o vento encontre seu rosto. Relaxe e sinta todo o ar que te invade.




   (Clicando na palavra "Temporal" abrirá a música pelo youtube)

Jamais Amélia, eu sou Amélia.

domingo, 27 de abril de 2014

Amélia por amar incondicionalmente
Por não querer ser diferente
Por não ser independente
Por fazer parte do sistema
Por não pensar nos problemas

Amélia por aceitar o que foi imposto 
Por não questionar o pensamento oposto
Por acreditar em tudo o que dizem
Por não ter um ideal para lutar
Por não viver

Amélia, submissa ao sistema
Ao amor, à crença
à tudo que a cerca
Amélia



Segunda Vez

sexta-feira, 25 de abril de 2014

  Eu pensei naquele primeiro beijo depois da aula, que me pegou meio desprevenida, mas querendo que aquilo acontecesse. Aqueles momentos de expectativas que eu sinto nos filmes. Ah, como eu amo filmes! Vê-los me faz tão bem. É como se por cerca de duas horas eu pudesse sair da minha realidade e entrar na vida de uma pessoa completamente diferente.
  É ainda mais engraçado quando eu me identifico com um filme, com um personagem. Na frente de uma tela eu me vejo torcendo para que algo aconteça, eu faço associações comigo mesma. Mas nem sempre o final me satisfaz. Ás vezes o final é o pior de todos. Eu queria poder mudar tudo, voltar a cena que não me agradou e deleta-la
  Tem filmes que me fazem entender realidades diferentes da minha, o passado, ou coisas que eu nunca tinha entendido até então. Alguns filmes me emocionam, me tocam, me marcam. Outros eu desejo que nunca tivesse visto. E se eu vejo um filme pela segunda vez, por opção, é porque eu realmente gostei. 

2012 2/2 (a parte que ninguém precisa saber)

domingo, 20 de abril de 2014

  Hoje eu lembrei de todas as vezes que eu arrumava um motivo pra passar perto da sua sala de aula, para procurar você durante o intervalo. Lembrei de todos os dias que você chegou atrasado e eu não te vi antes da aula começar. Eu lembrei do dia que te encontrei indo para casa.
  Eu lembrei de fingir que não te via e de esbarrar "sem querer" em você. Eu lembrei de você beijando outra garota na porta da escola, e de como eu fiquei mal vendo aquilo.  Lembrei de quando você veio falar comigo no intervalo, e de quando você falava coisas aleatórias só pra puxar assunto. Também lembrei de todos os planos que eu armei para te ter.

2012

  Fechei os olhos, com os fones no ouvido veio a próxima música. "2012", foi tudo o que eu pensei. Lembrei de ir pra escola correndo por estar atrasada, sempre com um Nescau na mão. Lembrei de mascar Trident durante as aulas, de deitar no chão da sala. De todas as vezes que eu fugi sem o professor ver e de descer correndo para a fila da cantina.
  A música me lembrou de jogar futebol depois da aula, de não fazer nada durante o intervalo. Lembrei de nunca fazer o dever de casa, e dar minha vida nas feiras de ciências. Lembrei dos amigos que fiz e de todos os momentos que passei naqueles corredores. Lembrei do meu último dia por ali.
   O tempo passa cada vez mais rápido, mas não dá pra esquecer os 10 anos que eu passei ali, vestindo aquele uniforme, fazendo amigos, adquirindo conhecimento de mundo, fortalecendo valores. Agradeço a tudo e a todos que fizeram com que meu ensino fundamental fosse tão maravilhoso e inesquecível.

Meu Primeiro Ensaio Sobre a Morte (Especial G. G. Márquez)

sexta-feira, 18 de abril de 2014

  Nascemos, vivemos, procriamos, ou não, e então morremos. É assim que tudo acontece. Chega um ponto da nossa vida que deparamos com a morte, seja de uma pessoa querida, uma pessoa admirada ou reconhecida. Me deparei hoje no jornal com a morte de um tal de Gabriel Garcia Márquez, os adjetivos usados para descreve-lo me deixaram curiosa. 
  Afinal, quem seria esse morto que despertara minha curiosidade literária e social? E assim foi com tantas outras pessoas que morreram sem eu ao menos ter a oportunidade de admira-las quando vivas. E me fez pensar na morte de pessoas que eu tanto admirei e amei. O que deixaram essas pessoas além de lembranças? Poucos serão lembrados daqui há alguns anos, outros viverão eternamente, seja por um motivo bom ou ruim. 
  Foi no meio da pesquisa que eu me deparei com o título "O Amor Nos Tempos do Cólera", o título do único livro que fui proibida de ler quando o apanhei na estante aos dez anos de idade. Estranho pensar que mesmo que você não saiba nada sobre essa pessoa que morreu recentemente, ainda sim faça parte de um pequeno momento na sua vida. 
  A vida é feita de pequenos momentos, de lembranças. Seja de uma música do falecido John Lennon ou de um livro do recém falecido Gabriel G. Márquez, essas lembranças que nós carregaremos para o túmulo, para a eternidade, que transmitiremos para nossos filhos e assim por diante. Ou não, ou tudo acaba e ponto final. 


"Não existe pior desgraça que morrer sozinho."
                                    Gabriel Garcia Márquez 

(Dedico esse texto aos mortos que deixaram lembranças à alguém e aos fãs de Gabriel Garcia Márquez)

Me dê um motivo pra ficar

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Pela janela eu vi os morros passarem
Mesmo distraída
Eu não consegui parar de pensar
Em um motivo para ficar

As horas demoraram para passar
A estrada era infinita
Eu estava cansada daqueles morros

Me dê um motivo pra ficar

Eu fiquei aqui tanto tempo
E tudo só confirmou meu pensamento
Eu tenho que ir

Vou sair daqui
Voltar pro lugar de onde vim


Clichê

sábado, 12 de abril de 2014

Ame o próximo
Seja ele quem for

Faça o bem
Sem olhar à quem

Sorria
Mesmo sem motivo

Respire fundo
Sempre que for preciso

Analise
Antes de falar

Arrisque
Mesmo que para errar

Próxima etapa

Tão pouco tempo
Tanto à se decidir

Depois de anos de mesmice
Acordando cedo
Assistindo aulas chatas
Fazendo dever de casa

Tudo isso por um motivo
Passar, passar no vestibular

Tá, passei
E aí? E agora?
O que eu faço?
O que eu serei?

E se não der certo?
E se eu não gostar?
E se eu fracassar?

Tanta coisa pra pensar
Dessa nova etapa
Que está pra chegar

Deixa que eu cuido de você

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Tão bom quanto ter alguém pra cuidar de você
É ter alguém pra você cuidar 

Não importa

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Não importa o tempo
O lugar
Ou as pessoas 

Não importa se houveram erros
brigas
discussões 

Não importa se mudou

O que importa é que quando é de verdade 
é para sempre

Sempre. 

Sem título

Mais uma história sem pé nem cabeça
Um texto sem título
Um poema sem sentimento
Um conto sem fada
Uma crônica fora da realidade
Uma dissertação sem fato
Uma assinatura sem nome

Apenas palavras juntas
Orações, frases

Não falo, logo não existo

Tão triste
Tão sóbria de mim mesma

Perdida no meio do pensamento alheio
Me olho no espelho
Nada vejo além
Além do reflexo de outro alguém

Ouço, mas ninguém me escuta
Sem ar
Falo, sem voz

Meus pensamentos me engasgam
Nenhuma palavra sai
Então continuo na mesma

Penso
Penso, não falo
Logo não existo


Essa guerra

Esse vai e vem
Esse disse-me-disse
No meio dessa confusão
Aqui estou

Parada no meio do tiroteio
Esperando a guerra acabar
Esperando os muros caírem
E a poeira abaixar

Espero
Já angustiada
Sem esperança
Sem acreditar em nada

No meio do cabo-de-guerra
Não há nada à se fazer

Espero
Já cansada
Sem vontade
Sem saber de nada

Escreva, escrever, escrito

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Tudo o que vejo por aí são texto de autores famosos, muitos mortos, outros que ainda vagam por aí escrevendo crônicas para jornais. Mas até em sites pessoais, em páginas em redes sociais, não há nada autêntico, nada que seja pessoal de verdade.
  E se a Lispector nunca tivesse escrito uma oração se quer, por estar ocupada de mais procurando por textos de gerações passadas que talvez se encaixassem naquela situação? E se existirem autores tão bons por aí quanto os que estampam capas de livros que serão sempre clássicos? Nós nunca saberemos, pois esses possíveis escritores estão muito ocupados procurando um texto do Veríssimo que ainda não foi postado.
  Que esses textos por aí sirvam de encorajamento para os novos escritores, que seus dedos dancem pelo teclado e nos apresentem algo novo, algo único, algo pessoal. Fale da namorada que você nunca teve, do emprego dos seus sonhos, mas fale algo seu, algo verdadeiro. Escrevam, escrevam como se o mundo fosse acabar e você precisasse dizer à você mesmo como foi o seu dia. Escreva como se nenhum escritor nunca estivesse escrito. Escreva um bilhete, uma anotação, uma carta de amor. Mas escreva. Mesmo que ache que não é bom o bastante, tente. 
  Escrever faz você lidar melhor com os próprios sentimentos e medos. Faz você por pra fora o que te sufoca. Escrever faz você parar, ler e ver o que tem dentro de você. Faz você se conhecer. Escrever é sempre bom, mesmo que você não tenha sobre o que dizer. 

Quem sou eu?

Tenho mais medos do que deveria
Penso mais do que sinto
Tenho minha vida planejada

Não sou diferente de ninguém
Queria alegrar à todos
Quero mudar o mundo

Não sou corajosa, nem forte
Tenho mais segredos do que gostaria
Me sinto sozinha às vezes, por opção

Sou teimosa e descontrolada
Amo incondicionalmente


Me olhe

sábado, 5 de abril de 2014

 Eu te vi com aquela garota
 Meus amigos disseram para eu não ligar
 Afinal você nem sabia o meu nome
 E não valia a pena 

Você passou me olhando e eu fingi não ver 
Eu não conseguiria dizer oi 

Eu planejei esbarrar em você
Não pense que eu sou tão desajeitada assim 
E nem que eu passei na sua frente
E não te vi ali  

Eu falo alto quando você está perto
Eu não olho nos seus olhos 
Eu finjo que você não existe

Mas só eu sei o quanto eu quero que você me olhe 
Eu quero que você me queira 

CZ

Quando eu não gritei

sexta-feira, 4 de abril de 2014

 Depois de tanto tempo calada encontrei meu cantinho. Não venha me censurar com o que eu disse ou escrevi, não me diga o que eu devo pensar. Deixe que eu seja eu mesma, pelo menos por um instante. Me achar.
 Não é novidade que tudo está acumulado em mim, que apesar de tanto tempo eu ainda fico sem ar ao querer falar. Então não falo, escrevo. Escrevo para aliviar a dor, pra expressar, pra esclarecer o que eu sinto, penso, faço.
  Eu me critico o tempo todo, eu guardo meus sentimentos para mim. Ninguém sabe, ninguém soube, ninguém ouviu quando eu não gritei. Eu nunca deixei que isso me afetasse, ninguém nunca notou. 

Dois fones e um travesseiro

Tão bom poder conversar
Ter alguém pra botar todos os demônios pra fora
Que saudade do teu cheiro

Não me importo em dividir o travesseiro 
Coloca um dos fones e ouve minha música
Deixo meu egoísmo de lados por ti
Minhas manias 

Te ligar
Ouvir sua voz

Farei macarrão e frango à parmegiana
Farei a cama e a pipoca pro filme
Farei a música com o teu nome
E o poema sobre teu amor

Amo você meu amor

Eu odeio insetos

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Eu odeio insetos
Eu odeio ficar doente
Eu odeio ter alergia

Eu odeio que errem meu nome
Eu odeio cair
Eu odeio não saber o que fazer

Eu odeio todos os erros que eu cometo

Mas tem essa pessoa
Com quem eu gosto de passar o tempo

Eu gosto de deitar na cama dele
Eu gosto de saber o que ele pensa
Eu gosto quando ele deita no meu colo

Eu gosto de chiclete de menta  
Eu gosto quando o céu está azul
Eu gosto de blusa xadrez

Eu não consigo achar as palavras certas
Mas eu queria de dizer tudo o que ele é pra mim

Separação

segunda-feira, 31 de março de 2014

  As vezes eu acordo de manhã, com saudade do calor. Então eu lembro de ir à pé pra escola e daquele uniforme que eu adorava e ao mesmo tempo detestava. A rotina de segunda à sexta, do leite pronto na geladeira, do tênis do lado de fora. E na hora do almoço, de volta àquela casa, tão grande e tão cheia, a roupa jogada no quarto, a mochila no chão da sala, o cheiro da comida pelo corredor.
  Ave-Maria. Hora da janta, todos reunidos na cozinha, contando sobre o seu dia. Tudo parecia tão bem, as vezes, de repente tudo pareceu tão ruim. E aquela rotina acabou. De manhã era frio, a casa agora vazia, o uniforme não era o mesmo. O jantar, ah, o jantar nunca mais foi jantar.
  Não sei se eu tenho saudade dessas pequenas coisas, de ter que guardar o tênis no lugar ou de arrumar a louça depois do jantar. Ou se sinto falta da família, unida. De beijar minha mãe ao chegar da escola e às seis horar ir receber meu pai. Sinto falta do bairro em que morei, das pessoas que eu conheci e da rotina, da mesmice do dia-a-dia.
   Eu me culpo, pela casa vazia e pela mudança, pelo sofrimento que causei por convence-los à persistir numa relação que já não dava mais há anos.

Não sei, não vejo, não ouço

 Já dizia Comte:
"Conhecimento é poder"
mas eu não quero ter poder
não quero conhecer.
Quero viver no meu mundo,
assistir TV.

Não,
não quero conhecer
o que está por trás da notícia do jornal,
da informação do rádio.
Quero ver meu futebol
e apreciar meu carnaval.

Quero comprar roupas de marcas
que vieram lá da China,
quero comprar um tênis
de origem desconhecida.

Não,
não me diga sobre política
nem me fale sobre as eleições
Me deixe aqui no meu mundo
de fantasias e ilusões

O homem e o rei que não quer ser "Zé"

domingo, 30 de março de 2014

  O homem é um ser engraçado, confuso. A sociedade corrompeu o homem desde o início da mesma. O homem sofre expectativas, o homem é cobrado. O homem é invejoso e egoísta. Ah! Esse homem… Esse homem que quer dinheiro, quer fama, quer ser rei. Mas rei não é maior, não é superior. O rei é só mais um "Zé". Rei não deveria receber nada por trabalhar pro bem-estar do povo, além de realização espiritual. Mas o homem, o homem quer dinheiro, e quer lucrar com tudo, até com serviço público.
  O serviço público virou uma grande máfia. E o homem ganancioso e já acostumado com o poder, com a busca pelo sucesso econômico individual, aceita, não reclama, não vê o lado negativo disso. Não vê que as escolas não funcionam, que pessoas morrem nas filas dos hospitais, que não deveriam nem ser chamados de postos de atendimento. Não vê que essa máfia só sobrevive por ser bancado pelos homens, homens que assistem ao pão e circo da máfia, do rei que não quer ser "Zé".
  De volta ao homem, que tudo vê, mas nada faz. Homem, que é o lobo do homem. Que as vezes luta tanto e não chega a lugar algum por ter alguém que chega lá primeiro, por alguma "mão mágica" da máfia, isso a fortalece. Homem, reage homem, que o mundo é seu! Não acho que o mundo vá ficar em orbita por conta própria, temos que agir homem, agir!

Aquela época.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Eu lembro daquela época que eu queria enfiar uma faca na minha barriga
Que eu não me importava em ficar horas sentada na banheira
Lembro da época que eu escovava os dentes muitas vezes
Que eu detestava aquele gosto nojento que eu sentia sempre
Eu lembro que as vezes eu queria me afogar no chuveiro
Que eu queria pular do telhado
Lembro de que eu usava roupas largas
Que eu era insegura


Sintomas, Doutor

Tremedeiras, Doutor
Minhas mãos tremem 

Vômito, Doutor
Vontade constante de vomitar 

Coração, Doutor
Coração apertado. 

Telefone

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Quem nunca esperou uma ligação?
Passei o dia inteiro vendo filmes tristes e comendo brigadeiro
Na esperança do telefone chamar

Agora está tarde e eu me sinto sozinha
Toda hora vou na cozinha
ver se tem alguma chamada perdida

Por que você não me liga?

Queria que ao menos mandasse uma mensagem
que me acalmasse
que deixasse tudo melhor

Mas está tarde
e eu nem sei onde você está
ou se pensou em me ligar

me sinto só

Future

Eu sinto meu coração tão apertado
Parece que fiz algo errado
Mas não era para ser assim

Me sinto oprimida por todos os lados
Eu precisava do teu abraço
Agora

Sinto um frio fora do comum na minha barriga
Não consigo comer, não consigo dormir
Não queria que as coisas fossem assim

O pior que é desta vez, o destino eu não sei



Oi

sábado, 11 de janeiro de 2014

Oi,
Sou eu de novo. Vim te agradecer, por me proporcionar momentos maravilhosos, por ser tão carinhoso e cuidadoso comigo. Vim te agradecer por ter um sorriso cativante e por não me deixar mais de 5 minutos brava com você, por ser tão irresistível.
 Eu vim te agradecer por ter me dado o mundo, um mundo que eu não conhecia, que eu tinha medo de descobrir. Vim te agradecer por me provar que eu estava errada e que eu deveria ter me deixado levar mais pelo meu sentimento e não reprimi-lo.
  Su vim te agradecer por me amar, mesmo com esse meu jeito, com essa minha forma, corpo, mente.

 Obrigada.

Quero que você sinta o que eu sinto

Quero que você se apaixone por mim todas as manhãs
Quero que você me ligue todos os dias só para ouvir minha voz
Quero que você fique ansioso antes de sairmos 
Quero que você sempre me beije como se fosse nosso primeiro beijo
Quero que você nunca vá embora
Quero que você me ame incondicionalmente

Quero que você sinta o que eu sinto

Amélia

Então me vi submissa à um amor incondicional
Incontrolável

Suponha...

Suponha que nós nunca tivéssemos nos visto
Suponha que nós nunca tivéssemos nos esbarrado
Suponha que nós nunca tivéssemos nos apaixonado
Suponha que eu não tivesse deixado você me beijar
Suponha que eu tivesse fugido
Suponha que eu tivesse negado
Suponha que nós não tivéssemos ficado juntos

que loucura seria
não te ter todos os dias
só pra me fazer feliz 




(Inspirado em: FIDELITY - REGINA SPEKTOR)